Simulação médica ao serviço da Anestesiologia: plano de formação arranca em Coimbra

O Centro de Simulação Biomédica (CSB) de Coimbra realiza, nos dias 7 e 8 de maio, o “Curso de Emergências Anestésicas - módulo I”, destinado ao internato de formação específica de Anestesiologia. Mafalda Martins, coordenadora pedagógica do CSB, salienta que, “embora as situações críticas que podem decorrer no período perioperatório sejam raras, os anestesiologistas têm de estar preparados para lidar com as mesmas”.

Esta será a sessão inaugural de um plano de formação com simulação criado pelo Colégio da Especialidade de Anestesiologia da Ordem dos Médicos, que, de acordo com a também coordenadora do internato de formação específica de Anestesiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), “tem como objetivo garantir formação com qualidade a todos os internos de Anestesiologia, com recurso à simulação”.


Mafalda Martins

Em declarações à Just News, a anestesiologista conta que o CSB de Coimbra, integrado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) abraçou, desde o início, as várias vertentes deste plano formativo, criado pelo Colégio da especialidade, intitulado “Simulação médica ao serviço da formação pós-graduada em Anestesiologia”, em conjunto com todos os centros de simulação do país e que vai entrar em funcionamento, em pleno, a partir de 2019.

“Este curso permite aos internos presenciar situações de emergência, que colocam em risco a vida do doente. O objetivo é que os anestesiologistas saibam como atuar em situações críticas, com possíveis repercussões negativas para o doente”, explica.

A ação contempla diversas situações de emergência, em particular, o choque anafilático, a hipertemia maligna, a intoxicação por anestésico local, o edema agudo do pulmão, a obstrução aguda da via aérea (laringospasmo, broncospasmo e mal asmático), a aspiração do conteúdo gástrico, a hipertensão no período perioperátório, a síndrome coronária aguda no período perioperatório e a paragem cardiorrespiratória.


Francisco Maio Matos e Mafalda Martins

“A Ordem dos Médicos é o motor do ensino médico em Portugal”

Francisco Maio Matos, coordenador executivo do CSB, pertenceu ao grupo de trabalho que criou o plano de formação e será um dos formadores do Curso de Emergências Anestésicas.

Em declarações à Just News, o também coordenador da Unidade de Cirurgia de Ambulatório do CHUC, realça que é a primeira vez que uma entidade responsável pela regulação do funcionamento da própria classe, neste caso a Ordem dos Médicos, "dinamiza um programa de formação nacional com estas características".



“A Ordem dos Médicos é o motor do ensino médico em Portugal e, sendo o Colégio da Especialidade de Anestesiologia que define os objetivos pedagógicos e de desempenho de cada ano do internato, é fundamental que tenha também relevância na decisão das áreas ou temas que devem ser complementados com prática simulada”, refere.


De acordo com o anestesiologista, o facto de integrar todos os centros de simulação nacionais "permite potenciar as mais-valias de cada um, nomeadamente no que respeita às suas áreas de intervenção".



Francisco Maio Matos

O responsável sublinha ainda que, este tipo de cursos está associado a “uma melhoria do desempenho e da confiança por parte dos profissionais de saúde perante os eventos críticos”. Além disso, promove o profissionalismo, na medida em que, “com a prática clínica simulada, é possível sinalizar e alterar comportamentos com relevância na relação médico-doente”. Por outro lado, “pode ser um importante recurso de controlo de qualidade e do próprio processo formativo.”


E é com evidente satisfação do "dever cumprido" que acrescenta: “Mais uma vez, o CBS do CHUC conseguiu passar para este programa de ensino a sua experiência acumulada de treino comportamental”.



“As emergências em Anestesiologia acontecem”

Na opinião de Lubélia Pegado, que dirige o Serviço de Anestesiologia do CHUC e, simultaneamente, o CSB de Coimbra, o curso será uma mais-valia na formação dos internos, porque, conforme refere, “a simulação, hoje em dia, permite aos profissionais de saúde estar perante factos muito similares aos reais”.


Lubélia Pegado

“As emergências em Anestesiologia acontecem, como acontecem em todas as especialidades, e é preciso estarmos cientes disso, conhecê-las e saber qual é a abordagem que devemos ter. É necessário que o médico, neste caso, o interno, que posteriormente vai ser anestesiologista, saiba como é que tem de resolver e abordar a situação.”

“O facto de a direção do Serviço de Anestesiologia ser também a direção do CSB favorece uma partilha muito grande entre ambas as estruturas. Embora haja no Centro formadores de outras especialidades, há um grande envolvimento do Serviço em vários cursos”, frisa.


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