Técnica de rinoplastia do CHUP foi capa da revista americana The Laryngoscope

The Laryngoscope, publicação científica de referência mundial na área da Otorrinolaringologia, dedicou a capa da sua edição de dezembro de 2019 a uma técnica revolucionária no âmbito da rinoplastia de preservação desenvolvida, nos últimos anos, pelo cirurgião Miguel Gonçalves Ferreira no Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP).

O artigo científico agora divulgado por esta prestigiada revista norte-americana, fundada em 1896, tinha sido aceite para publicação um ano antes, em dezembro de 2018, e apresenta os resultados de um estudo prospetivo envolvendo 100 doentes submetidos a rinoplastia de preservação de superfície.

Técnica cirúrgica com "visibilidade planetária”

Miguel Gonçalves Ferreira, responsável pela Consulta de Rinoplastia e Cirurgia Facial do CHUP, esclarece que esta técnica cirúrgica que começou a aplicar em 2014 já tinha sido apresentada noutros artigos entretanto publicados, mas reconhece que “este foi o mais importante”.

Daí que se tenha optado por submetê-lo a uma revista com o “peso” da The Laryngoscope, líder no ranking da Otorrinolaringologia mundial (medido pela Google Scholar Metrics) e uma taxa de rejeição de artigos muito grande, perto dos 90%”. A escolha para ser tema de capa dá a este artigo, admite, “uma visibilidade planetária”. Dentro em breve, acrescenta, “sairá um outro, mais abrangente do ponto de vista técnico”.



Bossa do nariz: a queixa mais frequente da população caucasiana

Em termos estatísticos, a queixa mais importante da população caucasiana relativamente ao nariz prende-se com a chamada bossa, em que o seu terço médio é mais alto do que o normal.

Miguel Gonçalves Ferreira explica que “corresponde exatamente a uma zona de transição entre o osso e a cartilagem, a mais crítica da estrutura do nariz”. Os especialistas chamam-na de “área K”, abreviatura de keystone, a pedra angular que sustenta o arco de uma ponte, sem a qual a estrutura acaba por ruir.

“Trata-se de uma área extremamente frágil, destruída por todas as técnicas antigas para retirar a bossa. O nariz colapsava, caía para dentro. Durante muitos anos, esse problema foi sendo resolvido com enxertos, aplicando-se, assim, uma técnica de destruição/reconstrução que, apesar de tudo, foi sendo bastante aperfeiçoada ao longo do tempo, havendo, hoje em dia, quem a faça muito bem”, refere o especialista.

No entanto, “embora esta solução funcione razoavelmente na pele grossa, mais tarde, na pele intermédia ou fina, os enxertos acabam por se notar na maior parte dos casos”.

Entretanto, a denominada rinoplastia de preservação implantou-se, procurando manter a suavidade de um dorso natural enquanto se faz a sua correção.


Miguel Gonçalves Ferreira

O que Miguel Gonçalves Ferreira resolveu fazer foi, usando palavras suas, “trabalhar por baixo, ou seja, diminuir a altura do pilar, neste caso o septo, sem mexer na ponte”. E garante ser uma intervenção “mais rápida, evitando a utilização de enxertos ou retalhos”. Chama-lhe técnica de preservação de superfície, concretizada em “três passos”: baixar o nariz, aplanar para o tornar reto e proceder a um refinamento final.

Uma cirurgia com “soluções de engenharia muito interessantes”

“Esta cirurgia envolve soluções de engenharia muito interessantes”, afirma, acrescentando estar a sua equipa a trabalhar em conjunto com o Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Minho no aperfeiçoamento da técnica. Que assegura ser “mais rápida, mais previsível, com melhores resultados, sem enxertos ou retalhos”.

Foram os 100 doentes submetidos a esta intervenção e selecionados para integrar o estudo prospetivo (33 homens e 67 mulheres, com uma idade média de 32,8 anos) que fizeram uma autoavaliação do seu nariz em três momentos: antes da cirurgia, no mês 3 e no mês 12 após a mesma. Tiveram em conta os aspetos funcional e estético, numa escala de 0 a 10. O resultado foi “muito bom”, comparativamente com o obtido em estudos do género: a avaliação, em média, partiu de um 3.4 para 8.4.



Miguel Gonçalves Ferreira faz questão de esclarecer que a septorrinoplastia é uma cirurgia diferente da rinoplastia estética, invocando a sua experiência clínica para afirmar que 70% dos doentes que opera têm toda a justificação para o serem no âmbito do Serviço Nacional de Saúde “porque o nariz torto faz com que respirem mal”.

A primeira autora do artigo agora publicado pela The Laryngoscope e selecionado para tema de capa foi Mariline Santos, interna de Otorrinolaringologia do Serviço de ORL do CHUP – Hospital de Santos António, que teve a seu cargo a elaboração deste estudo e do respetivo artigo, sob a coordenação de Miguel Gonçalves Ferreira e intitulado: “Spare Roof Technique in Reduction Rhinoplasty: Prospective Study of the First One Hundred Partients”.



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