ULS do Litoral Alentejano vence 12.º Prémio de Boas Práticas em Saúde

"É um grande incentivo para toda a equipa que, apesar da falta de recursos humanos, conseguiu a sua implementação". A reação é de Adelaide Belo, coordenadora do projeto "Utilizadores Frequentes do Serviço de Urgência - A Gestão de Caso Como Modelo de Intervenção" da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), que recebeu o 1.º Prémio da 12.ª Edição do Prémio de Boas Práticas em Saúde.


Elementos da equipa que venceu o Prémio de Melhor Projeto: Adelaide Belo, Vitor Gomes, Hugo Mendonça, Miguel Soares, Susana Matos e Anabela Encarnação

A iniciativa, que decorreu esta quarta-feira, na Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa, é organizada pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), em parceria com a Direção-Geral da Saúde, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e as administrações regionais de saúde. Tem ainda a colaboração da Direção Regional da Saúde dos Açores e da Secretaria Regional da Saúde da Madeira.

A receber o prémio esteve Adelaide Belo (internista, coordenadora do Programa de Gestão de Caso), Vitor Gomes e Hugo Mendonça (enfermeiros, Centro Saude de Odemira), Miguel Soares (enfermeiro, Centro Saude Sines), Susana Matos (enfermeira, Centro Saude de Santiago Cacem) e Anabela Encarnação (enfermeira, Serviço de Urgência do Hospital do Litoral Alentejano).

"Fazer a ponte entre os diferentes níveis"

Em declarações à Just News, Adelaide Belo explica que o projeto da ULSLA foi implementado como forma de “reorganização dos cuidados prestados pelos serviços, numa visão integrada, contínua, de proximidade ativa do cuidar em casa, visando as necessidades dos doentes crónicos complexos com multimorbilidade”.

Desta forma consegue-se melhorar o acompanhamento dos utentes, assim como “a estabilização clínica, a redução das idas ao serviço de urgência e os internamentos evitáveis”.
Como explicou, “o gestor de caso é o pivô da coordenação dos cuidados, fazendo-se a ponte entre os diferentes níveis, orientando o doente e a família no sistema”.

A médica salientou ainda que existe “maior partilha de informação entre todos, incluindo doente, e os médicos de família e os de Medicina Interna”.

Matosinhos, Açores e Braga

Nesta 12.ª Edição houve mais premiados. Na mesma categoria, a Unidade Local de Saúde de Matosinhos ganhou uma menção honrosa com o “Plano Individual de Cuidados Partilhado como Instrumento de Gestão Centrada no Doente Complexo na ULSM (PIC)”.


Elementos das várias equipas premiadas

Já o prémio de “Melhor Poster Científico” foi para a Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel - Centro de Saúde de Ponta Delgada com o projeto “Enfermagem de Reabilitação em Contexto Domiciliário”. A menção honrosa nesta categoria foi para o Hospital de Braga, na sequência do projeto “Melhoria de Outcomes na Pessoa com Enfarte Agudo do Miocárdio”.

“A discussão e a partilha de conhecimentos são fundamentais”

Falando sobre os prémios, José Carlos Caiado, presidente da ACSS, frisou a importância de se dar a conhecer boas práticas. “A discussão e a partilha de conhecimentos são fundamentais para a melhoria contínua das diferentes entidades de saúde no que diz respeito ao acesso, qualidade, eficiência, integração de cuidados e do papel central que o cidadão deve ter no sistema de saúde”, apontou.


José Carlos Caiado

Acrescentando, observou que “em qualquer setor é fundamental gerir de forma adequada os recurso humanos, financeiros e físicos para se obter resultados, além de se ter em conta a necessidade de planear, delinear objetivos a médio e longo prazo, organizar e liderar”.

José Carlos Caiado salientou ainda a importância da monitorização e avaliação do trabalho e “a capacitação e disposição de ferramentas de gestão para influenciar e motivar os membros da organização”.

O responsável esteve na sessão de abertura da 12.ª Edição dos Prémios, que contou ainda com Graças Freitas. A diretora-geral da Saúde mencionou a importância destes projetos para uma melhor Saúde, “porque não se pode ser complacente com a falta de qualidade e de segurança”.

"É fundamental promover as relações humanas"

Recorde-se que a iniciativa antecedeu o 7.º Congresso Internacional dos Hospitais, da responsabilidade da APDH, que tem como tema, este ano, “Envolvimento e Responsabilidade do Cidadão no SNS”.



Na sessão de abertura do Congresso, o presidente da APDH, Carlos Alves Pereira, deu especial ênfase à temática central: “A Saúde é transversal, complexa e exige, de facto, o envolvimento de todos, inclusive dos utentes.”

Acrescentou ainda que “os profissionais de saúde devem acompanhar o uso das ferramentas que permitem às pessoas, nomeadamente com doença crónica, monitorizarem a sua condição de saúde em casa, como no caso da diabetes ou da hipertensão, porque a comunicação entre profissional de saúde e doente é essencial”.

O responsável disse mesmo que, em plena era das novas tecnologias, se deve "dar primazia ao ser do que ao ter” e que, numa era de “crescimento tecnológico vertiginoso e alucinante, é fundamental promover as relações humanas".


Eric de Roodenbeck e Carlos Alves Pereira 

Na mesma sessão esteve Eric de Roodenbeck, presidente da Internacional Hospital Federation, da qual a APDH é membro. O convidado relembrou que, apesar das tecnologias, também é importante “o contacto face a face, que permite melhores outcomes para todos”. Nesse sentido, mencionou, “as associações e organizações são fundamentais quer para os cidadãos como para os profissionais de saúde”.


Além de um momento musical, foi prestada homenagem a membros da APDH que já faleceram


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