Unidade Multidisciplinar da ULS Região de Leiria disponibiliza Hospital de Dia Pé Diabético
Não é de estranhar que a 19.ª Reunião do Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus da SPMI, que decorreu há dias em Monte Real, tenha dedicado uma particular atenção ao pé diabético. Dá-se a circunstância de a sua Comissão Organizadora ser formada pelos internos e especialistas do Serviço de Medicina Interna da ULS da Região de Leiria, alguns dos quais particularmente dedicados à Unidade Multidisciplinar do Pé Diabético (UMPD), estrutura criada no início de 2023 e que ocupa um espaço no Hospital de Santo André ainda “a cheirar a novo”, pois, sofreu obras de adaptação para o efeito.
Coordenada por Diana Fernandes, atualmente em licença de maternidade, essa tarefa é assegurada pelo internista Pedro Neves Tavares, que presidiu à edição de 2025 do evento anual mais importante do Núcleo da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna dedicado à diabetes.
Recuando a 2020, ano em que se tornou especialista, Pedro Neves Tavares recorda que, no Hospital de Santo André, a Medicina Interna realizava três diferentes tipos de consultas nesta área: DM1, DM2 e Pé Diabético. A primeira era assegurada por dois especialistas, a segunda estava a cargo de sete internistas e a última, para além de si próprio, mobilizava mais duas colegas do Serviço de MI.
Cinco anos depois, o tratamento do pé diabético permanece sob a exclusiva responsabilidade da MI e os doentes com diabetes tipo 1 e tipo 2 continuam a ser partilhados com a Endocrinologia. “Cabe unicamente ao médico que referencia a decisão de encaminhar o utente para uma ou outra especialidade, sendo certo que os critérios de referenciação são semelhantes”, explica Pedro Neves Tavares.
Como não podia deixar de ser, a atividade relacionada com as consultas de DM-1 e DM-2 “cresceu bastante”, confirma o médico, “muito à custa do aumento exponencial da área de influência da ULS da Região de Leiria”.
Já a Consulta de Pé Diabético teve uma evolução ainda mais visível, dando origem a uma Unidade Multidisciplinar a ele dedicado, que inclui um Hospital de Dia. A funcionar desde 22 de agosto de 2022, a sua criação acabaria por ser oficializada algum tempo depois, a 4 de abril de 2023, com a realização de uma cerimónia de inauguração do espaço.
O local onde está instalada a Unidade Multidisciplinar de Pé Diabético e o seu Hospital de Dia resulta da adaptação de uma área situada no chamado Setor 1 do Hospital de Santo André, onde funciona a Consulta Externa. Uma sala de espera, uma zona de arrumos, uma casa de banho e um gabinete deram origem – após as indispensáveis obras de adaptação, que obrigaram, nomeadamente, ao derrube de algumas paredes – a um “open space” onde nem falta a luz natural.
“Dispomos de um espaço que possui três cadeiras de podologia, permitindo que uma podologista, contratada especificamente para integrar a Unidade, e duas enfermeiras trabalhem em simultâneo, e ainda uma sala de reuniões e outra de pequena cirurgia. Para além disso, ocupamos, em simultâneo, mais quatro gabinetes de enfermagem que, para além de servirem para o pé diabético, também dão apoio à Consulta de Diabetes. Aliás, o mesmo sucede com as próprias enfermeiras que temos no Hospital de Dia”, esclarece o nosso entrevistado.
Evitar as amputações e reduzir o número e a duração dos internamentos por causa do pé diabético
A juntar às seis profissionais de Enfermagem, à podologista e à assistente operacional, a Unidade Multidisciplinar de Pé Diabético tem alocados, para além de Diana Fernandes e de Pedro Neves Tavares, a internista Rita Grácio e ainda os respetivos internos de MI por cuja orientação são responsáveis, respetivamente, Soraia Duarte (4.º ano), Mauro Marques (4.º ano) e Joana Moniz (3.º ano).
Atualmente, a UMPD dá apoio a mais de 700 doentes da ULS da Região de Leiria, tendo até ao final do mês do Setembro deste ano realizado 2150 sessões de Hospital de Dia e 620 consultas de Pé Diabético.
“O pé diabético sempre foi uma área de diferenciação aqui no Serviço e, apesar de não ser habitual o envolvimento da MI no tratamento do mesmo, a verdade é que já há algumas instituições onde isso se está a verificar. E não me estou a referir à situação clássica do pé diabético que se encontra numa fase terminal, com indicação para amputação. O nosso objetivo, e de outras unidades do género que vão surgindo no seio da MI, é precisamente apanhar os doentes mais cedo, evitando o aparecimento de úlceras. E, quando ocorrem, abordando-as o mais precocemente possível, procurando evitar ao máximo as amputações, assim como reduzir o número e a duração dos internamentos por causa do pé diabético, seguindo as recomendações internacionais e as normas de orientação clínica nacionais”, refere Pedro Neves Tavares, adiantando:
“Apesar de a equipa própria da nossa Unidade ser de MI, nós promovemos a articulação com a Cirurgia Geral, a Ortopedia, a Medicina Física e de Reabilitação e até o Serviço Social, para além de envolvermos, sempre que necessário, a Unidade de Hospitalização Domiciliária.”

De referir que, historicamente, a Medicina Interna já era responsável, no Hospital de Santo André, pela Consulta de Diabetes quando a médica Conceição Neves fez formação na área e fundou uma Consulta de Pé Diabético. Sendo orientadora de formação de Diana Fernandes, fez com que esta última passasse a dar-lhe apoio na Consulta, acabando Pedro Neves Tavares por se lhes juntar posteriormente. Rita Grácio entraria na equipa para substituir Conceição Neves, na sequência da sua aposentação.
Classificando a atividade da Unidade Multidisciplinar de Pé Diabético como complementar à da Consulta de Diabetes, o médico justifica: “Se houver um doente que é seguido na Consulta de Diabetes e necessitar de cuidados específicos do Pé Diabético, obviamente que o integramos na UMPD, e vice-versa, havendo utentes que são seguidos em simultâneo em consulta de Diabetes e na unidade.”.jpg)
A reportagem completa pode ser lida no Jornal da 19.ª Reunião do Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus da SPMI.


