USF Santiago de Palmela: Maior articulação com o hospital no combate à insuficiência cardíaca
Os números são preocupantes. Apenas em 2016, foram registados 1209 doentes internados por insuficiência cardíaca (IC) no Centro Hospitalar de Setúbal (CHS), dos quais já faleceram 336, segundo dados recolhidos no âmbito do projeto UNIICA – Unidade Integrada de Insuficiência Cardíaca. Trata-se de um projeto aprovado pelo Programa de Incentivo à Integração de Cuidados e à Valorização dos Percursos dos Utentes no Serviço Nacional de Saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.
O objetivo da UNIICA é criar uma maior articulação entre o CHS e o ACeS Arrábida no acompanhamento de doentes com IC, estabelecendo elos de ligação entre os serviços de Cardiologia e de Medicina Interna e as unidades de saúde funcionais do ACeS Arrábida no diagnóstico, tratamento e seguimento destes pacientes.
“O facto de a IC ter uma apresentação clínica pouco específica e muito similar a outras patologias faz com que a doença seja diagnosticada tardiamente, o que acaba por ter consequências no prognóstico e na qualidade de vida do doente, daí a importância deste projeto”, explica Idalina Lima, médica de família na USF Santiago de Palmela e representante dos cuidados de saúde primários na UNIICA.
Com este projeto, pretende-se, como também salientou, “apostar na identificação precoce dos casos de IC através do doseamento do NT-proBNP, dotando as unidades de saúde do ACeS Arrábida com este aparelho que permite, em minutos e com uma simples picada no dedo, perceber se se trata de um possível caso de IC ou se os sintomas se devem a qualquer outra doença”.
Idalina Lima e o coordenador da USF Santiago de Palmela, António Dias
Na prática, permite, nos casos de dúvida, despistar logo nos CSP os casos que podem ser de IC e, principalmente, excluir a doença, evitando-se assim que se tenha de referenciar o doente para o hospital, para ainda ir fazer este despiste.
Paralelamente, a UNIICA também está a investir na criação de protocolos terapêuticos e de vias de referenciação hospitalar de acesso direto aos doentes com IC. “É uma forma de qualquer médico de família otimizar os seus conhecimentos sobre a IC e referenciar atempadamente os seus doentes”, frisa.
Idalina Lima refere que o projeto também envolve o acompanhamento do doente após alta hospitalar, para que seja agendada uma consulta com o médico de família ao fim da primeira semana e outra na segunda semana, desta vez no hospital:
“É neste período que ocorre a maioria dos casos de descompensação, daí ser fundamental ser-se visto pelo médico de família e pelo especialista do hospital, prevenindo-se quaisquer complicações que possam pôr em causa a sobrevivência e o prognóstico, reduzindo as taxas de reinternamento.”
Equipa da unidade
A UNIICA pretende abranger, assim, todas as fases de acompanhamento de um doente com IC, não descurando a componente de formação dos médicos de família. “Tenho aprendido muito e é importante saber quem está do outro lado, poder contactar facilmente o hospital se surgir uma dúvida, além de que, no âmbito do projeto, está ainda prevista a ida às unidades funcionais do ACeS Arrábida de médicos cardiologistas e internistas”, observa.
Para Idalina Lima, 51 anos, este projeto está a ser um desafio importante na sua vida profissional por tudo o que tem aprendido, mas não só. “O mais importante é que estamos a dar passos no sentido de otimizar a prestação integrada de cuidados a pessoas que têm IC, para que possam ter melhor qualidade de vida.”
Daí que, “mesmo que não nos tivesse sido aprovado o projeto, a vontade da equipa sempre foi a de dar continuidade a esta articulação entre os CSP e o hospital”.
A reportagem completa pode ser lida na edição de janeiro do Jornal Médico, onde, como é habitual, são entrevistados vários profissionais da unidade.


