3.º aniversário do programa Stent for Life em Portugal
Dia 20 de março assinala-se o 3.º aniversário do programa Stent for Life em Portugal, dinamizado pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC). No encontro, que decorrerá no auditório da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, em Lisboa, serão apresentados os resultados deste triénio de atividade e estarão em debate "os desafios da Saúde em geral, e nesta área do enfarte agudo do miocárdio, em particular".
O programa pode ser consultado aqui.
Doentes, INEM e Hospital
Em declarações à Just News, Hélder Pereira, presidente da APIC, recorda que o Stent for Life, uma iniciativa conjunta da Associação Europeia de Intervenção Cardiovascular Percutânea (EAPCI), um núcleo da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), e da EuroPCR, resultou de, na Europa, se verificarem importantes discrepâncias ao nível do acesso à angioplastia primária (PPCI), em fevereiro de 2011. Na altura, foi constituída uma “task force” que identificou três vetores que reúnem as principais barreiras a um bom desempenho da PPCI: doentes, INEM e hospital.
“Doentes” porque somente uma minoria liga para o 112, sendo que uma importante percentagem dirige-se para os hospitais pelos seus próprios meios. “O tempo que medeia entre a entrada num hospital secundário e a saída do mesmo não deverá ultrapassar os 30 minutos”, recorda.
“A organização atual das urgências hospitalares, a par das dificuldades de assegurar um transporte secundário adequado, levam a que se gaste um tempo precioso na referenciação dos doentes”, afirma, sublinhando que, por este motivo, a APIC tem estado extremamente empenhada na campanha de sensibilização da população “Não perca tempo – Salve uma vida”.
Relativamente ao INEM, o presidente da APIC lembra que, quando a campanha teve início, este não estabelecia, de forma sistemática, contacto direto com o Centro de Cardiologia de Intervenção. Presentemente, adianta, “o INEM liga diretamente para o hospital de Cardiologia de Intervenção, conduzindo o doente diretamente para a sala de cateterismos”.
Por outro lado, passou também a assegurar o transporte secundário entre hospitais sem Cardiologia de Intervenção e hospitais com Cardiologia de Intervenção, o que “tem um importante impacto na redução dos tempos de isquemia”.
Quanto à terceira barreira – hospital –, no contexto de um programa que visa regionalizar o programa Stent for Life, Hélder Pereira refere que têm-se vindo a organizar, ao longo de todo o país, reuniões entre os centros de Cardiologia de Intervenção e os hospitais referenciadores, os centros de saúde e o INEM. Este projeto, denominado Stent Network Meeting, tem sido um “sucesso” e tem permitido que, a nível regional, se busquem “as melhores soluções, de forma a aumentar o acesso dos doentes à PPCI”.
Na última reunião da APIC, Hélder Pereira lamentava que o apoio das entidades oficiais ao “Stent for Life” não seja ainda o desejável e acrescentou ser com “alguma apreensão” que, depois de três anos de campanha de sensibilização, ainda um diminuto número de doentes ligue o 112 ou que o tempo “sintomas-primeiro contacto medido” seja tão elevado.


