Opinião

Abordagem dietética na hipertensão arterial

Joana Pardal

Dietista dos Hipermercados Jumbo Ordem dos Nutricionistas - N.º 1636D

Joana Pardal
Dietista dos Hipermercados Jumbo. Ordem dos Nutricionistas - N.º 1636D

Nas duas últimas décadas, verifica-se genericamente na população portuguesa uma redução da taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares. Apesar desta tendência, as doenças do aparelho circulatório são ainda a principal causa de morte em Portugal e em todos os países europeus.

Diversos estudos epidemiológicos provaram a associação da hipertensão arterial (HTA) à doença coronária, AVC e insuficiência renal. De facto, a HTA é o fator de risco cardiovascular modificável mais frequente e o seu tratamento e controlo são centrais nas estratégias preventivas.

As tão estudadas alterações de estilos de vida têm efetivamente comprovado o papel proeminente da alimentação, tanto na prevenção primária como no controlo da HTA. Estas alterações no estilo de vida são apresentadas na tabela e incluem, globalmente: perda de peso quando há excesso de peso; limite do consumo de bebidas alcoólicas; adoção de uma dieta rica em frutas e vegetais, consumo de laticínios magros, redução da ingestão de lípidos total e lípidos saturados, bem como de colesterol; redução do consumo de sódio; aumento da atividade física e cessação tabágica.

A nível da prevenção, a modificação destes fatores em indivíduos com pressão arterial normal leva, de facto, a uma diminuição na pressão arterial, que pode ser mais ou menos significativa, dependendo da dose e da duração das mesmas.

Nestas cinco grandes alterações de estilos de vida, o dietista ou nutricionista pode e deve ter um papel ativo ao contribuir com o estabelecimento de plano nutricional adaptado às necessidades, objetivos realistas e motivações do utente. Porque recomendações genéricas, nomeadamente de limitação do consumo de sódio, não são, na maioria dos casos, suficientes para a adesão – é necessária uma abordagem completa de alteração de hábitos alimentares.

De forma global, todos os profissionais de saúde podem ter um papel na prevenção da HTA e na redução do risco de complicações relacionadas com a pressão arterial elevada.



Artigo publicado no Jornal Médico de maio 2014

Imprimir



Siga-nos no Linkedin