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Opinião

Bloco Operatório: o «papel fundamental» do auxiliar de ação médica na segurança da cirurgia


Beatriz Mouro

Auxiliar de Ação Médica (AAM), Bloco Operatório do Hospital Beatriz Ângelo



O mundo do Bloco Operatório pode ser comparado ao mecanismo de um relógio. Um conjunto de peças de tamanhos e formas diferentes, que se relacionam numa rede complexa de interações e onde cada elemento tem a sua função. Uma realidade onde o todo é maior do que a soma das partes. Onde cada elemento, por mais simples ou pequeno que seja, é imprescindível para o bom funcionamento do conjunto.


O auxiliar de ação médica (AAM) assume um papel fundamental na dinâmica do Bloco Operatório e sem a sua presença o complexo mecanismo que sustenta a atividade cirúrgica não funcionaria seguramente da mesma forma.

O AAM, enquanto membro da equipa cirúrgica, colabora no acolhimento do doente aquando da sua chegada ao transfer e, logo aí, é parte integrante do processo de verificação pré-operatória, contribuindo para a aplicação das Metas de Segurança Internacionais do Doente, tais como a correta identificação; garantir que a cirurgia é realizada no local de intervenção correto, com o procedimento correto e no doente certo; assegurar a aplicação de medidas que reduzam o risco de infeções associadas aos cuidados de saúde e o reduzir dos riscos de lesões decorrentes de quedas.

Após a realização do acolhimento do doente no serviço, o AAM é responsável, em articulação com a equipa de enfermagem, pela preparação da sala operatória para a realização da intervenção cirúrgica. É responsável por garantir a correta higienização da sala e de todos os equipamentos entre cada cirurgia, respeitando as normas e procedimentos instituídos pela organização.


Beatriz Mouro

Assegura a correta gestão do espaço, colaborando na organização dos dispositivos necessários ao normal funcionamento da atividade cirúrgica, e tem participação ativa no posicionamento do doente na marquesa operatória, contribuindo para a prevenção de lesões, nomeadamente através da colocação de posicionadores de gel em regiões anatómicas específicas, mediante a técnica cirúrgica a realizar.

Para cada especialidade cirúrgica são necessários equipamentos específicos. Estes podem dividir-se em equipamentos móveis, tais como torres de laparoscopia, torres de artroscopia, microscópios, equipamentos para realização de cirurgia oftalmológica, entre outros; e equipamentos fixos, como máquina de anestesia, torre de seringas infusoras, aspirador de sala operatória ou gerador de eletrocirurgia.


O AAM tem um papel determinante na utilização segura de todos estes equipamentos.

É responsável por higienizar devidamente todos os equipamentos após a sua utilização, organizar e acondicionar corretamente os dispositivos no seu local próprio, idealmente uma sala específica para o efeito, desligar os equipamentos quando não estão a ser utilizados, contribuindo para a aplicação das orientações da política ambiental da organização, e notificar as avarias que possam surgir.

O AAM na sala operatória deve também ter o cuidado de não sobrepor equipamentos, não utilizar ligações danificadas, não deixar cabos no chão, não utilizar extensões desnecessárias e sinalizar adequadamente o piso molhado aquando da higienização do mesmo após a cirurgia, prevenindo assim a ocorrência de quedas.

A complexidade das funções que desempenha no contexto perioperatório, a variabilidade de especialidades cirúrgicas e, consequentemente, das técnicas e dispositivos utilizados, e a exigência e responsabilidade inerentes à realização do ato cirúrgico, requerem do AAM elevados índices de concentração, rigor e profissionalismo.

É fundamental a realização de formação contínua, individual e interdisciplinar, teórica e em contexto prático, de modo a dotar estes profissionais das competências técnicas e relacionais indispensáveis ao seu sucesso, enquanto agentes essenciais na prestação de cuidados de saúde.


O AAM é seguramente uma peça fundamental no mecanismo complexo que diariamente suporta a atividade do Bloco Operatório e a sua presença é imprescindível para a realização de cirurgias com elevados níveis de eficiência, segurança e respeito pela dignidade do doente.

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