Dislipidemias: subavaliadas e subtratadas

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As dislipidemias podem resultar de fatores genéticos (primárias), da interação destes com fatores ambientais, bem como estar associadas a outras doenças (secundárias).

Entre estas, destacam-se como causa de hipercolesterolemia o hipotiroidismo, a síndrome nefrótica, a síndrome de Cushing e a anorexia nervosa e como causa de hipertrigliceridemia a diabetes mellitus, a obesidade e a doença renal crónica.

Para Elisabete Rodrigues, assistente graduada de Endocrinologia do CH São João, no Porto, esta entidade não está a ser atempadamente diagnosticada e tratada. “Penso que, entre nós, a dislipidemia é subavaliada e, pior ainda, subtratada, mesmo em indivíduos de alto risco cardiovascular”, refere, acrescentando que o exemplo mais recente é o relatório anual do Observatório de Diabetes de 2013, onde se verifica que menos de 10% dos doentes diabéticos atingem o valor alvo do colesterol.

“O MF tem um papel fundamental no rastreio, identificação e tratamento dos doentes com dislipidemia”, considera, desenvolvendo que o diagnóstico é feito através da avaliação, em jejum, no sangue do colesterol total, HDL e LDL e dos triglicerídeos.

É importante, segundo a endocrinologista, ter especial atenção aos indivíduos com doença cardiovascular aterosclerótica, diabetes mellitus, doença renal crónica, doença inflamatória crónica, história familiar de dislipidemia ou doença cardiovascular prematura, ou com fatores de risco cardiovascular.

“Em todos estes, é mandatório avaliar o perfil lipídico e tratar de acordo com as recomendações”, afirma Elisabete Rodrigues. E conclui: “Nos indivíduos sem fatores de risco cardiovascular identificados, a avaliação do perfil lipídico deve ser considerada em homens com idade >= 40 anos e mulheres >= 50 anos ou pós menopausa.”



Artigo publicado no Jornal Médico de fevereiro 2014

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