Opinião

Dor nos idosos: «Os profissionais prestam pouca atenção, especialmente nos casos de demência»


Paulo Reis Pina

Casa de Saúde da Idanha, Sintra. Competência em Medicina da Dor, Geriatria e Medicina Paliativa. Assistente convidado da FMUL


A dor afeta mais de 60% dos doentes com idade superior a 65 anos. Nas populações suscetíveis, é necessária uma abordagem sistemática, baseada na evidência, que possa abordar a dor de forma a providenciar um melhor atendimento ao doente.

A dor é considerada, frequentemente, uma situação fisiológica natural da senescência, ou seja, a dor é inevitável nos idosos. Assim sendo, os profissionais prestam pouca atenção à sua existência, especialmente nos casos de demência.

Por vezes, em vez de se almejar o tratamento específico da dor, como alvo preferencial, faz-se uma abordagem precária de “tentativa e erro”: prescrevem-se fármacos avulsamente sem ter sido feito um perfeito diagnóstico da  natureza fisiopatológica da cronicidade da dor.

No caso de idosos frágeis, os principais motivos para um menor uso de analgésicos são: presença limitada de médicos; comorbilidades crónicas; deficiências cognitivas e sensoriais dos utentes; fragmentação dos cuidados; falta de comunicação entre os profissionais de saúde; polifarmácia; aumento da vulnerabilidade dos utentes; falta de conhecimentos para reconhecer a presença de dor; e aceitação geral da dor como um aspeto natural do envelhecimento.



A dor deve ser tratada como qualquer outra doença crónica, usando medidas farmacológicas e não farmacológicas. Um especial cuidado deve ser tomado quando o doente é idoso e vulnerável em relação a interações medicamentosas, metabolismo hepático e excreção renal da maioria dos analgésicos.

Os analgésicos devem ser escolhidos em função da intensidade da dor. No caso de uma dor nocicetiva: se a dor é ligeira, usar não opioides; se moderada a intensa, usar opioides. No caso de a dor ter uma componente neuropática, há que ter atenção com as potenciações a nível do sistema nervoso central da maioria dos analgésicos adjuvantes.

O alívio da dor é um direito humano. O tratamento da dor é um dever médico. Inserida na medicina baseada no valor, a gestão adequada da síndrome dolorosa crónica beneficia a relação simbiótica médico-doente.



Artigo publicado no Jornal Médico dos cuidados de saúde primários.

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