Infeção do ouvido afeta 60-80% das crianças com menos de um ano

A otite média aguda (OMA) é a infeção bacteriana mais frequente na idade pediátrica e a segunda doença infeciosa mais comum, depois da vulgar constipação. A informação é avançada por Miguel Bebiano Coutinho, assistente hospitalar graduado de Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar do Porto.

A otite média aguda (OMA) é a infeção bacteriana mais frequente na idade pediátrica e a segunda doença infeciosa mais comum, depois da vulgar constipação. A informação é avançada por Miguel Bebiano Coutinho, assistente hospitalar graduado de Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar do Porto. Segundo o especialista, “60 a 80% dos lactentes têm pelo menos um episódio de OMA nos primeiros doze meses de vida e 80 a 90% têm um episódio até aos três anos”.

O médico adianta que a sintomatologia mais comum desta infeção nos primeiros anos de vida é a irritabilidade, febre, choro, otalgia, que muitas vezes é precedida por obstrução nasal e rinorreia, inicialmente serosa e que depois passa a mucopurulenta. “O diagnóstico é realizado pelo exame otoscópico, que revela um edema e hiperemia timpânicos, muitas vezes associados a uma rinorreia anterior e/ou posterior mucopurulenta.”

Sendo o tratamento destas infeções muitas vezes empírico (impossibilidade de resposta laboratorial rápida), Miguel Bebiano Coutinho diz ser fundamental ter em conta a probabilidade de resistência aos antibióticos das estirpes suspeitas e o conhecimento da sua prevalência na área geográfica em causa, para o que muito contribuíram os resultados do estudo Viriato, publicados em 2010. E salienta que “a adoção de medidas terapêuticas deverá seguir a Norma da DGS 7/2012”.

A frequência e a natureza destas infeções são determinadas por múltiplos fatores -- ambientais, do hospedeiro e agentes infeciosos. De acordo com o otorrinolaringologista, constituem fatores ambientais de risco a frequência do infantário cada vez mais precoce, a poluição, o fumo do tabaco e as más condições socioeconómicas.

Por outro lado, são fatores do hospedeiro a ausência de aleitamento materno, a asma e atopia, a hipertrofia das amígdalas e adenoides, as discinesias e os défices imunitários.

Quanto aos agentes bacterianos, sendo o pneumococo o agente mais prevalente, o uso das vacinas pneumocócicas conjugadas é muito importante. Contudo, sublinha, “tratando-se a OMA de uma complicação frequente da gripe na faixa etária até aos 3 anos de idade, é controversa a aplicação da vacina da gripe como medida preventiva”.

Maioria dos casos é seguida pelo MF
Miguel Bebiano Coutinho considera que os MF têm um papel essencial no acompanhamento das crianças com OMA, pois, passa por eles o diagnóstico e tratamento da maioria dos casos. “A referenciação ao otorrinolaringologista deverá ser criteriosa para não criar uma ansiedade desnecessária nas suas famílias. Esta deverá acontecer no caso de recorrência da patologia, apesar da terapêutica médica adequada, na suspeita de hipoacusia ou na presença de uma perfuração timpânica com mais de três meses de evolução”, aconselha o especialista.

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