Opinião

Medicina Familiar e Medicina Interna: «uma parceria natural na ligação da comunidade ao hospital»


João Sequeira Carlos

Médico de família. Diretor do Serviço de MGF do Hospital da Luz Lisboa. Membro da Comissão Organizadora do 27.º CNMI (Congresso Nacional de Medicina Interna)



Os sistemas de saúde deparam-se, atualmente, com inúmeros desafios decorrentes das evoluções da própria Medicina,  mas também de mudanças profundas na sociedade.

O envelhecimento da população, a maior disponibilidade de tecnologia e a transição epidemiológica, com o aumento da prevalência de doenças crónicas, impõe uma nova visão para a organização do sistema de saúde.

Os modelos de cuidados de saúde compartimentados em diferentes níveis, em locais distantes e sem comunicação entre si estão obsoletos. A forma como se organiza a prestação de cuidados deve deixar de estar focada nos profissionais e nas instituições para se centrar definitivamente nas pessoas e nas suas necessidades de saúde, concretizando as intenções repetidas pelo discurso dos diversos stakeholders do setor.


João Sequeira Carlos

Urge (re) encontrar modelos inovadores 

A ligação entre a comunidade e os hospitais, com maior proximidade entre profissionais, é fundamental para assegurar cuidados com qualidade, segurança, continuidade e coordenação. Urge (re) encontrar modelos inovadores em que a integração de cuidados seja efetiva, assente em parcerias entre prestadores.

Neste pressuposto, é incontornável a cooperação entre duas especialidades médicas de perfil generalista. A aliança da Medicina Geral e Familiar com a Medicina Interna é um fator decisivo para o sucesso de modelos geradores de confiança da população, satisfação dos doentes e melhores resultados na gestão integrada do doente crónico.

A colaboração entre médicos de família e internistas é essencial para a robustez do continuum de cuidados, devendo ir para além da atividade assistencial, com envolvimento da formação médica e na investigação.

As unidades de saúde que garantam esta ligação funcional terão um contributo relevante para a sustentabilidade do sistema, com melhor gestão dos recursos e respostas mais adequadas às necessidades dos pacientes do século XXI.



Artigo publicado no Jornal Médico dos cuidados de saúde primários, no âmbito de um espaço dedicado ao 27.º Congresso Nacional de Medicina Interna.

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