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Opinião

Miocardiopatias: «1.º curso internacional pós-graduado com grande procura»


Luís Rocha Lopes

Co-organizador do Curso. Prof. auxiliar convidado de Cardiologia, FMUL. Cardiology consultant, St Bartholomew’s Hospital, Londres. Honorary associate professor, University College London





O Centro Cardiovascular da UL (CCUL), contando com o apoio da Associação para a Investigação e Desenvolvimento da Faculdade de Medicina (AIDFM) e o apoio científico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) e da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, organizou, no final de novembro, o New Frontiers in Cardiomyopathies - Cardiomyopathies in Clinical Practice, um primeiro curso internacional pós-graduado exclusivamente dedicado ao tema das miocardiopatias em Portugal.

Existem muito poucos cursos com estas características a nível europeu



A iniciativa contou com a participação de um corpo docente composto por experts nacionais e internacionais e decorreu na FMUL. Existem muito poucos cursos com estas características a nível europeu.

Mereceu a acreditação/certificação UEMS-EACCME (European Accreditation Council for Continuing Medical Education) e consistiu em dois dias de curso (21 horas no total, incluindo 5 horas de tutoriais com casos clínicos práticos).

Necessidade de atualização contínua neste campo de conhecimento

As miocardiopatias são doenças complexas, para cujo correto acompanhamento e tratamento são necessários conhecimentos de várias subespecialidades cardiológicas e não só, nomeadamente imagem, eletrofisiologia, genética e outros domínios médicos. O conhecimento na área cresceu muito nas últimas duas décadas, em parte devido aos enormes avanços em imagem e genética.



Estas doenças são expressas por fenótipos cardíacos variados, às vezes sobrepostos ou mistos, e são uma causa frequente de insuficiência cardíaca, arritmias e morte súbita. São também uma área de ponta em termos de investigação fundamental e translacional.

Começa a surgir de forma real a promessa de novos fármacos capazes de controlar a história natural dessas doenças, ou mesmo impedir o seu desenvolvimento.

Por todas estas razões, é um desafio a atualização contínua neste campo de conhecimento, que quisemos colmatar com o lançamento deste novo curso da FMUL.

Procurámos abordar a grande maioria das necessidades educacionais nesta área, frequentemente citadas por cardiologistas e internistas, nomeadamente como diagnosticar e tratar, como escolher os melhores candidatos para terapêuticas novas ou mais específicas, como seguir doentes e familiares afetados ou não afetados.



A prevalência estimada total para as miocardiopatias (considerando no seu conjunto as de causa maioritariamente genética) é aproximadamente de 1 em 150-200 indivíduos (adultos) na população geral, ou seja, potencialmente, mais de 60.000 doentes em Portugal.

Sabemos que, tal como noutros países, muitos casos não estão diagnosticados e outros encontram-se em seguimento em consulta não dedicada ou, por vezes, com um rótulo muito genérico de “insuficiência cardíaca” e sem um diagnóstico etiológico mais específico.

Mas muito tem evoluído nos últimos anos em Portugal, com a criação de várias consultas dedicadas de norte a sul do país. Isto tem tido certamente um impacto positivo, nomeadamente tratamento mais dirigido, correto seguimento de familiares e, de forma muito importante, prevenção de morte súbita.

Promover ainda mais o correto diagnóstico



Um curso pós-graduado com estas características tem o potencial educacional de promover ainda mais o correto diagnóstico, seguimento e tratamento deste grupo importante e vulnerável de doentes.

Mais especificamente, os objetivos em termos de alguns conhecimentos que esperávamos ver adquiridos no final do curso passavam por saber:

- Quando suspeitar de uma miocardiopatia;
- As classificações atuais e a sua utilidade na prática clínica;
- Aplicar algoritmos diagnósticos e identificar “red-flags” para conseguir chegar a um diagnóstico mais específico;
- As indicações e limitações do estudo genético;
- Como diagnosticar, avaliar, seguir e tratar doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica, dilatada, arritmogénica, Fabry, amiloidose, restritiva, não compactada e outras mais raras;
- O papel da biopsia miocárdica, principalmente nas miocardiopatias inflamatórias.



E adquirir mais conhecimentos:
- Relativos aos mecanismos celulares fisiopatológicos e à investigação que ocorre nessa área;
- Sobre novas terapêuticas, nomeadamente genéticas;
- Relativos a diagnóstico, seguimento e tratamento de miocardiopatias em idade pediátrica.

O curso teve grande procura e mais de 80 formandos inscritos (que era, na verdade, o limite pensado pela Comissão Científica para o número de lugares disponíveis).



Tivemos a possibilidade de contar com um corpo docente composto maioritariamente por experts nacionais que lideram consultas/unidades de miocardiopatias em todo o país, incluindo Porto, Lisboa, Viseu, Faro, Vila Real, Guimarães, Coimbra e Almada.

Fizeram também parte da faculty colegas de eletrofisiologia, genética médica, insuficiência cardíaca e imagem. Em relação aos experts internacionais, o Dr. Juan Jimenez-Jaimez (Granada) realizou uma palestra sobre estratificação de risco na miocardiopatia arritmogénica, os Profs. Claudio Rapezzi (Bolonha) e Pablo Garcia-Pavia (Madrid) participaram na sessão dedicada à amiloidose, os Profs. Christoph Kampmann (Mainz) e Maurizio Pieroni (Arezzo) na sessão dedicada a doença de Fabry.

O Prof. Juan Kaski (Londres) realizou uma keynote lecture dedicada a miocardiopatia em idade pediátrica (um tema ainda muito pouco falado em Portugal), o Dr. Oliver Guttmann (Londres) uma palestra sobre biopsia endomiocárdica nas miocardites, o Prof. Lorenzo Monserrat falou sobre estratificação de risco na miocardiopatia hipertrófica.


Luís Rocha Lopes

As sessões práticas hands-on de casos clínicos, para as quais os formandos se dividiram em duas salas e foram expostos a oito casos clínicos distintos nos dois dias, permitiram uma grande interatividade e a consolidação dos temas tratados nas sessões teóricas.

O feedback recebido foi extremamente positivo e já começámos (Comissão Científica) a pensar na segunda edição.



Artigo publicado na revista Coração e Vasos 6

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