O contracetivo certo para cada mulher

A mulher, ao longo da vida, tem diferentes necessidades contracetivas. Existe uma vasta opção de métodos de contraceção, incluindo métodos reversíveis, irreversíveis e contraceção de emergência.

“É da responsabilidade do profissional de saúde facultar informação para uma opção adequada, individualizada às necessidades e expectativas, minimizando riscos e promovendo a qualidade de vida”, adianta Teresa Bombas, secretária-geral da Sociedade Portuguesa da Contracepção (SPDC).

A fase da vida da mulher desde a adolescência, passando, na idade adulta, pelo pós-parto, pela vontade de planear e espaçar as gestações até à menopausa, só por si, condiciona a opção contracetiva.

A obesidade e os hábitos tabágicos são aspetos a considerar na escolha de um método contracetivo com igual relevância, tal como a presença de outras doenças, nomeadamente, a hipertensão, a diabetes e as trombofilias. Segundo a especialista, “os critérios de elegibilidade da OMS auxiliam o profissional de saúde na eleição de um método ou métodos de contraceção”.

A escolha contracetiva adequada deve considerar “os benefícios para a saúde e qualidade de vida da mulher, o que se traduzirá na melhoria da adesão e diminui o risco de gravidez não planeada”, diz Teresa Bombas.

A contraceção de emergência constitui a última hipótese de prevenção de uma gravidez não desejada em caso de relação sexual não  protegida pelo não uso de contraceção, mas também pelo uso inadequado de um método de contraceção.

“A informação sobre este método deve estar presente em todas as fases da vida da mulher, mesmo nas situações de uso regular de um método, sobretudo se a sua eficácia depende da adesão da utente”, aconselha a médica.

Em Portugal, está disponível a totalidade dos métodos de contraceção modernos e seguros, é fundamental que sejam todos divulgados à utente, para que a opção seja o mais assertiva possível. Os dados nacionais revelam que o risco de gravidez não desejado está relacionado sobretudo com o uso inadequado de contraceção e não com a não utilização.

“O contracetivo ideal deve ser 100% seguro, 100% eficaz e acessível a 100% das mulheres. Este contracetivo não existe. Até lá, o profissional de saúde deve ter acesso a formação e informação científica atualizada”, conclui a secretária-geral da SPDC.


Artigo publicado no Jornal Médico de fevereiro 2014

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