Opinião

O dashboard da saúde

Paulo Jorge Nogueira

Diretor dos Serviços de Informação e Análise da DGS. Membro do Conselho Superior de Estatística

Paulo Jorge Nogueira
Diretor dos Serviços de Informação e Análise da DGS. Membro do Conselho Superior de Estatística

O dashboard da saúde é uma ferramenta de monitorização mensal do estado de saúde da população portuguesa. Cumpre o objetivo de disponibilizar dados concretos e reais de forma inteiramente transparente. Serve ainda para reforçar o caráter de completa coordenação e colaboração entre todas as instituições da saúde. Na fase inicial são usados dados geridos e disponibilizados pelo INSA - Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e pela ACSS - Administração Central do Sistema de Saúde.

A sua implementação começou com um conjunto restrito de sete indicadores, que será progressivamente alargado. A integração de novos indicadores depende do acesso regular a dados, da análise do conjunto histórico e do acerto da metodologia usada. É expectável, já nos primeiros meses, que o atual conjunto de indicadores seja desagregado por regiões.

A informação constante desta ferramenta web será atualizada regularmente, pelo menos todos os meses. Quando os indicadores não tiverem informação atualizada (em princípio do mês anterior), o respetivo mostrador referenciará o último mês com informação completa. Por esta razão, nem todos os indicadores terão a mesma data.

O dashboard é um instrumento dinâmico que visa ser personalizável por cada utilizador. Existe a ambição da faceta dinâmica ser progressivamente mais desenvolvida.

Nesta fase inicial apenas uma metodologia está implementada, prevendo-se que, num futuro próximo, possa existir mais do que uma opção que permita ao utilizador escolher as linhas de base e os esperados limites de variação.

A metodologia usada nesta primeira versão do dashboard recorre a informação mensal de cada indicador de pelo menos 3 anos consecutivos recentes (a maioria recorre a 5 ou mais anos):

A linha de base mensal é a mediana dos valores de cada mês ao longo dos anos considerados para cada indicador; A variabilidade considerada para a construção das linhas de referência consiste aproximadamente na média dos desvios-padrão dos 12 meses – estimativas; As linhas de referência apresentadas consistem no valor da linha de base (o valor
esperado em cada mês) ± 1s e ± 2s.

Empiricamente, de forma aproximada, tudo o que ocorra dentro das quatro linhas de referência apresentadas – duas verdes e duas vermelhas – terá uma probabilidade de 95%. Apesar de surgirem alguns eventos no vermelho ou no verde, tal não implica necessariamente que sejam eventos anómalos. O alcançar destas duas cores, verde e vermelho, indicia sobretudo tendências. O facto de um valor de um evento mensal sair das quatro linhas de referência – os limites ± 2s – indica um sinal de alerta. Em princípio, apenas teremos eventos anómalos quando o mostrador indicar o máximo do vermelho ou o máximo do verde (junto aos traços a preto). Nestes casos, é necessário reavaliar se a linha de base e a variabilidade usadas ainda são apropriadas.



Artigo publicado no Jornal Médico de janeiro 2014

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