ORL do Centro Hospitalar do Porto: «um serviço de referência de pessoas para pessoas»

Criado em 1909, é sob o lema "construindo-se um serviço de referência de pessoas para pessoas" que o Serviço de Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar do Porto tem vindo a escrever a sua história. Sua diretora desde 2005, Cecília Almeida e Sousa afirma que estes profissionais primam por "dar sempre o melhor" aos seus doentes, tanto na qualidade de prestação dos serviços, como na vanguarda e na atualização de conhecimentos em todas as vertentes da ORL.

A otorrinolaringologista conta que o serviço foi criado, em 1909, por entendimento da Direção Administrativa do hospital, a fim de atender às crescentes solicitações das “moléstias de ouvidos, nariz e garganta”.

Posteriormente, seguiram-se tempos de amadurecimento e afirmação, em que se contemplaram melhoramentos nas instalações, assim como o alargamento do corpo clínico.

Em 1962, foi criado o Internato da Especialidade – o primeiro do Hospital de Santo António e do Norte do País – e, em 1980, iniciado o ensino pré-graduado. Foram, ainda, realizadas inúmeras reuniões científicas internacionais de “elevada qualidade”.

Volvidos 105 anos, o serviço acompanha a evolução das técnicas de meios complementares de diagnóstico e tratamento na área assistencial e construiu os alicerces fundamentais, sendo hoje uma unidade atual e moderna em todas as suas vertentes, considerando-se um serviço de referência tanto a nível nacional como internacional.

Vertentes e setores

O Serviço de ORL do Centro Hospitalar do Porto tem várias características e vertentes. O Internamento e o Bloco Operatório funcionam no edifício neoclássico, as Consultas Externas e a Urgência na parte nova do hospital, no edifício Dr. Luís de Carvalho. “O funcionamento é integrado, só temos de nos deslocar no espaço físico”, observa Cecília Almeida e Sousa, mencionando a, não menos importante, valência do Ambulatório, que funciona num local exterior ao hospital.

“Trata-se de um espaço autónomo, tal como preconizam as regras, e moderno, onde fazemos toda a cirurgia de ambulatório possível em ORL. Os doentes são submetidos aos procedimentos cirúrgicos e têm alta.”

No que respeita às cirurgias pediátricas, Cecília Almeida e Sousa contou que o serviço começou a realizá-las, recentemente, no Centro Materno Infantil do Norte (CMIN). “Desde o encerramento do Hospital Maria Pia que as ‘nossas crianças’ eram operadas no bloco pediátrico do nosso hospital. Atualmente, já transferimos as cirurgias para o CMIN e, dentro de algum tempo, serão as consultas. Portanto, a parte pediátrica vai funcionar toda lá, em pleno”, indica.

As Consultas Externas estão, desde 2006, e de acordo com Cecília Almeida e Sousa, setorizadas nas várias vertentes, isto é, o serviço disponibiliza consultas de rinite alérgica, rinoplastia, patologia do sono, foniatria e vertigem.

Salvo poucas exceções, os doentes são inicialmente triados pelo gestor de consulta para as diversas subespecializações. O espaço possui todos os exames complementares necessários, sendo o utente, posteriormente, orientado para o tratamento médico ou cirúrgico adequado.

Estes profissionais fazem uma média total de 23.500 consultas/ano, isto é, 6500 primeiras consultas e 17 mil subsequentes. São realizados uma média de 26.700 exames anuais.

Situados no belo edifício neoclássico do Hospital de Santo António, o Bloco e o Internamento somam uma média de 1700 doentes tratados/ano, com cerca de 900 indivíduos  intervencionados em cirurgia convencional e 800 em ambulatório. O tempo médio de internamento é de 2,8 dias.

Segundo a diretora deste serviço, a taxa de internamento por cirurgia convencional tem vindo a diminuir, porque os procedimentos são, sempre que possível, efetuados em ambulatório.

Internos conferem dinâmica ao espaço

A formação é outra vertente, que Cecília Almeida e Sousa considera muito importante e afirma conferir grande dinâmica ao serviço. “Temos o ensino pré-graduado, que pertence ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e o pós-graduado”, observa.

No que se refere a este último, e no seu entender, os internos estão vocacionados para a pesquisa, investigação e busca de novos temas, o que acaba também por ser uma vantagem no que respeita à atualização e desenvolvimento do serviço.

“É, sem dúvida, uma mais-valia, porque acabamos por estar permanentemente em update relativamente às diversas patologias e às novas formas de tratamento, quer médico, quer cirúrgico.”

O serviço conta, neste momento, com seis internos da especialidade e tem espaço disponível para que estes jovens médicos em formação possam estar, estudar e treinar como, por exemplo, numa sala de treino de cirurgia otológica.


Em busca de uma melhor qualidade assistencial

Falando, de um modo geral, do serviço do qual é responsável, assim como destes seus nove anos enquanto diretora, Cecília de Almeida e Sousa faz um balanço muito positivo.

Afirmando que se tem esforçado, desde sempre, por dar o seu melhor, a nossa entrevistada diz entender que os objetivos têm sido cumpridos. “A experiência é muito importante, tenho-me empenhado, em primeiro lugar, para dar continuidade ao que os diretores anteriores fizeram pelo serviço. Procuro, e vou conseguindo, que vá sempre progredindo e melhorando em todos os aspetos, sobretudo na qualidade assistencial”, refere a otorrinolaringologista, acrescentando que, apesar de se atravessar uma difícil conjuntura económica, a pouco e pouco, vão conseguido tudo o que necessitam.

“O Conselho de Administração faz sempre um esforço no sentido de nos ir disponibilizando o que faz falta, por exemplo, do ponto de vista de apetrechamento, com material topo de gama, que vai sempre surgindo e queremos ter para prestar um serviço de melhor qualidade aos nossos doentes”, salienta, referindo que até mesmo no que diz respeito aos recursos humanos, e apesar das dificuldades de contratação, sempre que necessário são dadas as autorizações.

“Acho que, apesar do contexto político que estamos a atravessar, não me posso queixar. Pedi, recentemente, mais um médico para o serviço e foi autorizado.”

O espaço conta assim com 23 médicos – dois chefes de serviço, seis assistentes graduados, nove assistentes hospitalares e seis internos da especialidade. 14 enfermeiros, um na consulta externa e 13 no internamento, e ainda três administrativas, duas na consulta externa e uma no internamento.

Para o futuro, a diretora tem como objetivo dar ao espaço outras valências ainda não desenvolvidas, como é o caso da vertigem.

“Não temos ainda um espaço físico, mas foi-me prometido que, com a abertura do CMIN, me seria disponibilizado. Contudo, é preciso ainda adquirir meios complementares de diagnóstico mais modernos e de reabilitação”, conclui.

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