Opinião

Portal do Utente: a saúde pela cidadania

Rui Cernadas

Vice-presidente do CD da ARS Norte

Rui Cernadas
Vice-presidente do CD da ARS Norte

É sempre bom podermos falar do que se conhece ou, até melhor, do que se gosta.

A um médico, nas palavras felizes e que aqui cito do meu querido Amigo e Colega Fernando Pardal, diretor clínico do Hospital de Braga, “irmão do SNS” e, por isso, também com 35 anos de exercício profissional clínico, em funções no Conselho Diretivo de uma ARS, é ainda mais agradável.

De facto, numa altura em que parece que só as coisas más e negativas merecem destaque, em que o pessimismo e a falta do riso já sublinhadas por Eça de Queiroz campeiam, em que os portugueses se autoflagelam, nem sei bem se por cultura, se por genética, há ainda muitos e bons exemplos do contrário.

O que hoje trago à estampa é um pequeno exemplo que vale por isso mesmo, por ser um exemplo, entre vários outros, que, por razões de calendário, se juntaram e que agora poderiam caber aqui.

Falaria de reuniões para apresentação de resultados de desempenho dos ACES referentes a 2013, ou dos Planos Locais de Saúde, ou de partilha entre ACES e hospitais de referenciação, ou de conferências institucionais, ou até de ações formativas de média dimensão promovidas por direções clínicas de hospitais e ACES!

A Plataforma de Dados da Saúde (PDS) inclui um duplo portal, para o profissional e para o utente, o chamado Portal do Utente.

No caso do utente, fazendo a associação do cartão de cidadão ao registo e utilizador neste portal para a consulta de informação e a realização de serviços eletrónicos, diversificados e facilitadores, transformando o utente – em certa medida – na parte interessada no sucesso do seu relacionamento com o SNS.

Possibilita ainda o registo ou a partilha dos dados ou problemas de saúde, prevenção de alergias, informação sobre medicamentos consumidos ou outros documentos relevantes, os quais poderão ser consultados por profissionais de saúde sob prévia autorização do utente e cidadão. Mas permite ainda múltiplos acessos a informações ou a programas de marcação de consultas ou pedidos de medicação crónica, por exemplo.

É, enfim, mais do que um Portal informativo, um Portal interativo.

Quanto aos profissionais de saúde, no SNS, consagra um sonho de muito tempo, permitindo que o médico aceda, junto do utente e na própria consulta, aos registos clínicos desse utente, por exemplo, do atendimento no SAP ou na urgência hospitalar da véspera!

Trata-se de um avanço reclamado e que é preciso divulgar, utilizar e promover.

Ora, voltando ao exemplo que trago, o ACES do Baixo Tâmega, na região Norte, que inclui os concelhos de Celorico de Basto, Amarante, Marco de Canaveses, Baião, Resende e Cinfães, decidiu em boa hora fazer um programa em que, ao longo de seis dias úteis consecutivos, promoveu a apresentação do Portal do Utente.

O modelo foi muito simples: uma reunião ao fim do dia, em instalações municipais, convidando especificamente IPSS locais, lares de idosos, juntas de freguesias e executivos municipais, deputados municipais, dirigentes associativos e forças locais como policiais,
bombeiros ou da proteção civil, aberta à sociedade civil na sua plenitude, e apresentar detalhadamente o Portal.

Para além disso, tirando partido do público reunido, passar mensagens muito importantes e atuais: reforço da informação da campanha vacinal contra a gripe, esclarecimentos genéricos sobre o ébola e medidas de higienização em geral, RENTEV (Registo Nacional do Testamento Vital) e apresentação formal da equipa técnica de apoio aos utentes.

O êxito pode ser sempre avaliado de modos diversos. E deve ser medido para garantir aperfeiçoamento.

Mas a opção da diretora executiva do ACES, Eng.ª Cristina Ferreira, e do presidente do Conselho Clínico e da Saúde, Dr. Avelino Basto, foi claramente positiva e inovadora, uma fórmula promotora da saúde pela cidadania, ou de como o SNS deve ir ao encontro das pessoas e das suas comunidades.

As coisas simples são, por regra, quase perfeitas. E justificam a nossa gratidão.



Artigo publicado na edição de dezembro do Jornal Médico.

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