Opinião

Tabagismo, asma e doença alérgica em Portugal

José Rosado Pinto

Coordenador de Imunoalergologia do Hospital da Luz

José Rosado Pinto
Coordenador de Imunoalergologia do Hospital da Luz

A relação entre a asma e o tabagismo é marcada pela presença permanente da inflamação das vias aéreas. Se na asma a resposta inflamatória é desencadeada pela presença de um antígeno, no tabagismo ela persiste pela existência de um conjunto de substâncias tóxicas e cancerígenas que levam a uma progressiva alteração da mucosa brônquica. Os efeitos do tabaco no asmático ainda estão pouco claros, mas resultam no aumento das secreções brônquicas e da obstrução pulmonar. A aposta na prevenção é particularmente centrada na grávida, na criança e no adolescente.

No estudo ISAAC (2012), numa amostra de 570.000 crianças e adolescentes de 53 países, incluindo Portugal, confirmou-se a relação entre a asma e o tabagismo materno e a identificação de uma associação separada entre tabagismo paterno e os sintomas de asma, eczema e rinoconjuntivite. O estudo INAsma (2013) veio mostrar que 19% da população portuguesa é fumadora (26,2% M; 12,3% - F), 17,2% ex-fumadores, e que há uma tendência para o aumento de hábitos tabágicos na população feminina, sendo que as crianças, os adolescentes e os asmáticos têm um maior risco à exposição tabágica.

A entrada em vigor da legislação de prevenção da exposição involuntária do fumo do tabaco (2007) veio disciplinar e reduzir a exposição dos cidadãos ao tabaco que, no contexto europeu, não é muito elevada. No relatório Infotabac (2011), concluiu-se que a legislação foi positivamente aceite pela população portuguesa, que alterou os seus hábitos, reduziu o consumo do tabaco em casa e o fumo ativo e passivo nos espaços públicos.

O Programa Nacional para Prevenção e Controlo do Tabagismo (2012-2016) mostra que 43% dos adolescentes (16 anos) fumam e 29% fumaram no último ano; 15% fumam diariamente e 22% começam a fumar antes dos 15 anos. Aponta como alguns objetivos principais: a redução dos fumadores diários de menos de 16 anos de 15% para 12%, dos fumadores de sexo masculino de 31,5% para 27% e de sexo feminino de 16% para 14,5%.

As estratégias para redução do consumo de tabaco em Portugal passam pela aplicação do Programa Nacional, pela implementação das recomendações da UE, por campanhas regulares de informação, nomeadamente as centradas na saúde escolar, e por uma estratégia integrada de consulta de cessação tabágica. A aplicação destas linhas de orientação, associadas ao trabalho desenvolvido pelos diferentes parceiros, como as sociedades científicas, na prevenção e controlo da asma, irão permitir melhorar os resultados da hospitalização e da mortalidade de asma, que são dos mais baixos da UE.



Artigo originalmente publicado no Jornal da 35.ª Reunião Anual da SPAIC.

Imprimir



Siga-nos no Linkedin