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Opinião

«Técnicos auxiliares de saúde já deram provas de que merecem uma carreira profissional»


Adão Rocha

Presidente da Direção da Associação Portuguesa dos Técnicos Auxiliares de Saúde (APTAS)



Desde esse fatídico ano de 2008, em que uma Lei cega, meramente economicista, retirou ao SNS profissionais qualificados, que tinham que fazer formação específica para poderem exercer a sua função de extrema importância e responsabilidade, pois, tinham ao seu cuidado vidas humanas.

A partir desse mesmo ano, a qualquer pessoa que concorra para assistente operacional (AO) basta-lhe ter os requisitos mínimos exigidos pela Lei, no que diz respeito à robustez física ou à escolaridade obrigatória, consoante a idade de nascimento. Pouco mais é pedido para se poder entrar no SNS, sendo depois os profissionais alocados aos vários serviços, de acordo com as necessidades dos mesmos, sendo que a grande maioria passa pelos internamentos e pelas urgências, onde a falta de pessoal mais se faz sentir.

O facto de estes serviços funcionarem 24 sobre 24 horas, 365 dias no ano, aliado à penosidade da profissão, com turnos rotativos, desfasados da vida familiar, faz com que muitos desses AO excedam o permitido pela Lei. Chegam a trabalhar entre 12 a 16 horas consecutivas, podendo isso acontecer 2 a 3 vezes por semana, atingindo numa só semana o número de horas estipulado para meio mês de trabalho, em troca de uma fraca compensação monetária (ordenado mínimo).

E com a agravante de que em muitos casos essas horas não lhes são pagas, ficando acumuladas em banco de horas. O mesmo será dizer que ficam de folga quando for possível, o que pode acontecer no mês seguinte, ou daí a dois, três, ou mais meses, dependendo muitas vezes da vontade das chefias. Ora, isso afasta o interesse em se manterem nesses lugares e à primeira oportunidade mudam de emprego.

Contudo, é necessário expor de uma forma explícita aquilo que estes profissionais fazem no seu dia-a-dia, para uma melhor perceção da sua importância no SNS. Isto sem esquecer o Setor Social, pois, neste caso, a penosidade da profissão é mais incisiva, chegando a substituir o enfermeiro, em especial aos fins de semana, pois, na grande maioria dos lares, aquele não está no horário, uma vez que a sua presença é meramente fictícia.

Estes profissionais são os verdadeiros alicerces de qualquer instituição. Têm a seu cargo, praticamente, a responsabilidade de gerir a reposição do material necessário à prestação dos cuidados de saúde. Têm ainda como função -- sendo esta muito mais importante -- a prestação de cuidados aos utentes, incluindo a toma de refeições e o auxílio na higiene diária, na eliminação das necessidades fisiológicas, em especial para os que já não tem capacidades para o fazer por si próprios, ou a ajuda na ministração dos medicamentos, pois, apesar de este processo ser da responsabilidade dos enfermeiros, a toma dos mesmos acontece, muitas vezes, junto com as refeições.

Prestam ainda um precioso auxílio aos seus superiores hierárquicos, ao nível dos cuidados de enfermagem, como, por exemplo, no tratamento de feridas e sempre que seja necessário um apoio extra.


Adão Rocha

Em suma, estas são algumas das tarefas levadas a cabo pelos AO, em especial os que desenvolvem a sua atividade profissional nos serviços que diretamente apoiam os utentes/doentes. E muito poderíamos ainda dizer sobre as funções dos mesmos.

Num Serviço Nacional de Saúde que se quer cada vez mais eficiente e eficaz e, acima de tudo, humanizado, nunca foi tão necessária a formação específica destes profissionais -- a mesma que é dada pelo Estado tanto a nível escolar como profissional --, tendo em conta que o objetivo é formar pessoas com mais conhecimentos, mais aptas e abertas a adquirir outras competências, tornando-se uma mais-valia para as instituições.

Se olharmos para o panorama português, em que as infeções hospitalares são responsáveis por uma grande parte da fatia das despesas extras na Saúde, nunca foi tão importante delinear estratégias de combate a este flagelo. E só com profissionais formados, conhecedores de como atuar para evitar as mesmas, é que podemos reduzir esses custos, que todos os dias matam pessoas nos hospitais.

É esta a visão da APTAS – Associação Portuguesa de Técnicos Auxiliares de Saúde, que considera absolutamente fundamental a qualificação destes profissionais, que já deram provas mais do que suficientes de que merecem uma carreira profissional, sendo considerados técnicos auxiliares de saúde.

  




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