Opinião

Unidades de Cuidados na Comunidade

Luís Pisco

Vice-presidente do Conselho Diretivo da ARSLVT

Luís Pisco
Vice-presidente do Conselho Diretivo da ARSLVT

O envelhecimento da população é, antes de tudo, uma história de sucesso para as políticas de saúde pública, assim como para o desenvolvimento social e económico. O aumento da longevidade é uma das principais conquistas da Humanidade no séc. XX.

Em todos os países, e especialmente nos países em desenvolvimento, medidas para ajudar as pessoas mais velhas a manterem-se saudáveis e ativas são uma necessidade e não um luxo e um dos mitos do envelhecimento é que pode ser tarde demais para se adotar esses estilos nos últimos anos de vida.

Mas obviamente que a adoção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no cuidado da própria saúde são importantes em todas as etapas da vida. Os centros de saúde sempre tiveram, ao longo da sua existência, uma importante atividade comunitária, nomeadamente na promoção da saúde e na prevenção da doença.

Infelizmente, essa atividade raramente teve a visibilidade e o reconhecimento que merecia e muitas vezes acaba por decorrer de uma forma quase invisível, quer para a generalidade dos cidadãos, quer, por exemplo, para a comunicação social.

A reforma dos cuidados de saúde primários procurou dar um ênfase especial à intervenção na comunidade e o decreto-lei que cria os agrupamentos de centros de saúde (ACES) e que estabelece o regime de organização e funcionamento das diferentes unidades prevê as unidades de cuidados na comunidade (UCC), às quais compete “prestar cuidados de saúde e apoio psicológico e social de âmbito domiciliário e comunitário, especialmente às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física e funcional que requeira acompanhamento próximo, a atua ainda na educação para a saúde, na integração em redes de apoio à família e na implementação de unidades móveis de intervenção”.

As equipas são de natureza multiprofissional e podem ser compostas por enfermeiros, assistentes sociais, médicos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas da fala e outros profissionais, consoante a disponibilidade de recursos.

As UCC têm por missão contribuir para a melhoria do estado de saúde da população da sua área geográfica de intervenção, visando a obtenção de ganhos em saúde, concorrendo assim, e de um modo direto, para o cumprimento da missão do ACES em que se integram.

O seu trabalho é crucial e deveria ter o reconhecimento e a visibilidade merecidas, o que nem sempre acontece. A Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros tem desenvolvido um trabalho meritório, apoiando o desenvolvimento, promoção e avaliação das UCC da sua área de influência.

O exemplo mais recente foi a organização de um evento onde foi divulgado o estudo “Unidades de Cuidados na Comunidade: Presente com Futuro” onde foram divulgados os resultados do trabalho destas Unidades e que pode ser consultado no sítio da internet da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros.

Imprimir