USF Alphamouro assinala aniversário com um objetivo: a acreditação

Seis anos depois, José Carlos Patrício, coordenador da unidade, recordou como tudo começou. “Em três semanas, um grupo de nove médicos, 10 enfermeiros e oito administrativos do Centro de Saúde Dr. Joaquim Paulino, constituiu, em tempo recorde, a USF Alphamouro”.

Segundo o coordenador da unidade, a dinâmica da equipa estava já enraizada anteriormente, fruto da adesão ao Projeto Alfa, que surgiu antes das USF na Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, no sentido de estimular as ideias e iniciativas dos profissionais, para que aproveitassem melhor a capacidade e meios instalados nos centros de saúde. “Já funcionávamos um pouco como as USF, mas sem os incentivos à sua constituição, nem a autonomia que é dada às unidades.”

A USF AlphaMouro esteve três anos em modelo A, tendo passado a modelo B em 2011. Nesse ano, destacou-se por ter sido uma das três melhores unidades da ARS Lisboa e Vale do Tejo no que respeita ao cumprimento dos indicadores. Em 2012, teve algumas dificuldades, embora tenha cumprido globalmente os indicadores institucionais (26 pontos em 30). Em relação aos indicadores financeiros, foram conseguidos 32 em 34. “Tivemos direito a 50% dos incentivos institucionais e a 100% dos financeiros.”

“Continuamos a acreditar neste projeto e que podemos fazer diferente e melhor. Festejar este aniversário é como reafirmar que estamos a tratar do próximo ano e dos seguintes”, referiu José Carlos Patrício, salientando que, apesar das dificuldades e das notícias menos boas que, por vezes, surgem, há depois outras melhores que lhes dão alento e que mostram que vale a pena estarem unidos.

José Carlos Patrício referiu, como exemplo, a luta recente relativamente à proposta do Governo em relação à lei que define os pagamentos por incentivos aos profissionais que trabalham nas USF, isto porque foi decidido suspender o pagamento da parte do ordenado que se baseia no desempenho. “Foi a união entre médicos, enfermeiros e secretários clínicos que fez com que a proposta tenha recuado e que fossem repostos a legalidade e os compromissos assumidos entre a administração e os profissionais e o prémio justificado pelo esforço, empenho e qualidade do trabalho que eles prestam.”

Teresa Costa, presidente do Conselho Clínico do ACES Grande Lisboa IX, onde se insere a USF AlphaMouro, aproveitou a ocasião para dar os parabéns a toda a equipa em seu nome pessoal e da Direção.

“A unidade tem uma equipa fantástica. Tem a seu cargo cerca de 19 mil utentes. Devem manter o espírito de equipa, pois, se estivermos empenhados e unidos, conseguimos, com certeza, ter melhores resultados”, disse. Cuidados continuados: parcerias A USF AlphaMouro desenvolve trabalho na comunidade em parceria com instituições de serviço social. É o caso da Cercitop. Segundo Fátima Faustino, coordenadora do Serviço de Apoio Domiciliário desta entidade, a parceria entre a unidade e a Cercitop remonta ao tempo do centro de saúde. No entender daquela responsável, a grande vantagem desde que se formou a USF prende-se com o facto de todos os utentes terem médico de família atribuído e a enfermagem a assistir. “Temos sempre a quem recorrer”, indicou.

Há reuniões mensais com todos os parceiros ligados à área dos cuidados continuados (acamados e doentes mais debilitados que estão na casa deles e que não têm capacidade de se deslocar à unidade). “São os enfermeiros e as equipas de apoio domiciliário que vão a casa dos utentes e prestam cuidados domiciliários”, referiu, esclarecendo que este apoio envolve as necessidades básicas, como a higiene, a alimentação e a administração de medicação.

No entanto, sublinhou, dentro das necessidades mais básicas, há situações de descompensação orgânicas e clínicas que as equipas de serviço social não têm a capacidade de diagnosticar e prescrever. Nestes casos, a equipa de apoio domiciliário liga ao médico ou ao enfermeiro para esclarecer a situação e depois, dependendo da situação, vai a equipa de apoio domiciliário, o enfermeiro ou o próprio médico. “A resposta é muito imediata”, sublinhou. Mas também há casos em que é a própria USF que percebe que um doente ainda não tem cuidadores, que a família está cansada e não consegue prestar todos os serviços ao doente. Nestas situações, o enfermeiro entra em contacto com um elemento do serviço social e depois este canaliza para uma instituição social ou articula logo com uma equipa de serviço domiciliário para uma visita.


Artigo publicado no Jornal Médico de fevereiro 2014

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