Opinião

Vacinação para a vida

Graça Freitas

Coordenadora do Programa Nacional de Vacinação

Graça Freitas
Coordenadora do Programa Nacional de Vacinação

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a UNICEF e o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) promove, anualmente, com os países europeus, a “Semana Europeia da Vacinação”, com o intuito de “Prevenir, Proteger e Imunizar” os cidadãos contra doenças para as quais existem vacinas de qualidade, seguras e eficazes.

“Vacinação para a vida” é o lema da Semana Europeia da Vacinação 2014, (22 a 26 abril). Este lema visa sensibilizar os cidadãos de todos os grupos etários para a importância da vacinação na proteção da sua saúde, incentivando os pais a vacinar os seus filhos o mais precocemente possível, mas também realçando a importância de manter a vacinação ao longo da vida.

As vacinas, se forem administradas de acordo com as recomendações, podem dar “Proteção para a vida”, no duplo sentido da frase: as pessoas ficam imunizadas contra várias doenças durante toda a sua vida e o facto de estarem imunizadas dá-lhes vida, pois, evitam-se doenças potencialmente graves ou mesmo letais.

Mas “Vacinação para a vida” significa também que a vacinação não é exclusiva da infância e da adolescência, mas que deve ser praticada ao longo da vida, o que implica a vacinação dos adultos de acordo com esquemas vacinais específicos.

Em Portugal, como nos outros países europeus, as vacinas com maior benefício para os indivíduos e para a sociedade estão integradas no Programa Nacional de Vacinação (PNV ), criado em 1965, que tem sido sistematicamente aplicado ao longo de décadas, contribuindo decisivamente para melhorar o panorama da saúde em Portugal, sendo um marco determinante na vida dos cidadãos, no passado, no presente e no futuro.

O PNV, que é universal e gratuito para o utilizador, foi inicialmente financiado, em parte, com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian, com progressiva integração, até à exclusividade, no Orçamento de Estado.

O País pode congratular-se por ter vacinado mais de 8 milhões de crianças e milhões de adultos. Esta vacinação maciça e sustentada evitou milhares de casos de doença, de internamentos, de sequelas, de sofrimento e de morte, tendo contribuído para os excelentes resultados que o País apresenta na mortalidade infantil e mudado radicalmente o panorama das doenças infeciosas em Portugal.

Não podemos retroceder naqueles resultados. O nosso objetivo é aumentar as coberturas vacinais tendo como principal preocupação a proteção dos mais vulneráveis e a vacinação de “bolsas” de pessoas insuficientemente vacinadas.

O êxito do PNV deve-se aos sólidos valores que presidiram ao seu lançamento, mas sobretudo ao entusiasmo e aceitabilidade dos profissionais de saúde, enfermeiros e médicos e à adesão e confiança dos milhões de portugueses que, voluntariamente, ao longo de décadas, vacinaram os seus filhos e se vacinaram a eles próprios.

O Programa Nacional de Vacinação é motivo de júbilo e de celebração, de que todos os portugueses se podem orgulhar.



Artigo publicado no jornal Médico de abril 2014

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