«É urgente uma estratégia racional para captar dermatologistas para o SNS»
De acordo com dados da Ordem dos Médicos, existem, atualmente, 382 especialistas de Dermatovenereologia em Portugal e 50 internos em formação. Segundo a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), em junho de 2016 trabalhavam no SNS 144 dermatologistas.
Apesar de Manuela Selores não dispor dos dados reais do número de colegas da sua área a exercer no setor privado, uma vez que, como refere, “alguns acumulam com funções no público”, tem a perceção de que existe um movimento preocupante de dermatologistas que transitam do público para o privado, com um número crescente de dermatologistas a exercer exclusivamente a sua atividade profissional no setor privado ou convencionado.
“As deficientes condições atuais do exercício profissional específicas da Dermatologia no setor público (serviços com número insuficiente de profissionais, com instalações degradadas e mal equipadas) em associação com a situação atual do exercício da medicina pública em Portugal (remuneração e carreiras médicas) faz com que os dermatologistas jovens abandonem o SNS”, refere.
Questionada sobre as principais consequências desta situação, a presidente do Colégio da Especialidade de Dermatovenereologia da OM indica que, “para o utente do SNS, verifica-se a inexistência de atendimento de urgência na maioria dos hospitais, dificuldade de internamento de patologias graves e aumento progressivo das listas de espera para primeiras consultas hospitalares”.
Por sua vez, “para a especialidade e, consequentemente, para o utente, porque irá ter impacto na qualidade da assistência em Dermatologia, está em perigo iminente a manutenção das áreas de diferenciação da especialidade, que permitiram, nas últimas décadas, inegáveis ganhos em termos de saúde e, como tal, de reconhecimento da especialidade, nacional e internacionalmente”.
Perante este cenário, Manuela Selores considera que “é urgente a implementação de uma estratégia racional para a captação de profissionais para o SNS e, sobretudo, para o interior do país, Alentejo e o Algarve”.
“A contratação avulsa de dermatologistas em número reduzido e sem planeamento adequado leva a que os concursos fiquem vazios. Perante ofertas de trabalho que se limitam a atividade assistencial não diferenciada e somente ao nível da consulta externa, com exigências de produtividade desmedidas, os jovens dermatologistas optam pelo setor privado, no qual as condições remuneratórias são mais atrativas”, afirma.
Teledermatologia pode contribuir para atenuar a escassez de resposta assistencial
Na opinião da Manuela Selores, o desenvolvimento da teledermatologia, matéria em que está particularmente empenhada, poderá dar um contributo para responder à escassez de resposta assistencial que os cidadãos têm no SNS, "mas não vai, seguramente, resolver a falta da capacidade instalada".
Considera que a situação ideal seria utilizá-la, na modalidade de telerrastreio, em todas as referenciações para a consulta hospitalar de Dermatologia, com o objetivo de melhorar a triagem de pedidos de consulta, manter controlada a lista de espera e, sobretudo, evitar que fiquem à espera patologias prioritárias benignas ou malignas.
Outra das preocupações do Colégio prende-se com a manutenção da qualidade e quantidade da formação pós-graduada em Dermatovenereologia que, alerta, “pode estar em causa a curto prazo”.
A explosão da oferta não especializada na área de Dermocosmética é outra das matérias que causam apreensão, na medida em que “o conhecimento da ciência básica ao nível da pele e anexos é indispensável para garantir a segurança dos procedimentos neste campo”.
1.º Curso de Teledermatologia no 30.º Fórum de Dermatologia
Tem lugar, nos dias 10 e 11 de novembro, mais uma vez no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, o Fórum de Dermatologia, no âmbito do qual se realizará o 1.º Curso de Teledermatologia, dirigido aos médicos de Medicina Geral e Familiar.
O Fórum, que comemora este ano a sua 30.ª edição e é presidido por Manuela Selores, como diretora do Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar do Porto - Hospital de Santo António (CHP-HSA), inclui, como nas edições anteriores, um simpósio de Dermatologia Pediátrica, uma sessão interativa com casos clínicos e a apresentação de trabalhos científicos sob a forma de poster.
O evento destina-se, principalmente, a médicos de MGF, pediatras, dermatologistas e outros especialistas interessados no tema. O programa pode ser consultado aqui.

A notícia completa pode ser lida na edição de setembro do Hospital Público.


