Prémio Nacional de Medicina Interna atribuído a Carlos Vasconcelos

Carlos Vasconcelos, diretor da Unidade de Imunologia Clínica (UIC) do Hospital de Santo António, no Porto, foi distinguido com o Prémio Nacional de Medicina Interna, atribuído pela primeira vez pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI). A cerimónia de entrega decorreu após a conferência de abertura do XXII Congresso Nacional de Medicina Interna/V Congresso Ibérico, evento que termina domingo, em Viana do Castelo.



O prémio agora criado será entregue anualmente pela SPMI a um internista que tenha "contribuído de forma relevante para a divulgação, avanço científico e/ou implementação da especialidade em Portugal".





Começando por agradecer a honra desta distinção, Carlos Vasconcelos, que tem dedicado a sua carreira à área da Imunologia, afirmou que não deixará nunca de se penitenciar por “não ter conseguido ser melhor, de não ter feito mais e de não ter tomado melhores decisões que tivessem evitado que os doentes sofressem escusadamente”.

Depois de agradecer à família, particularmente à mulher e às três filhas, Carlos Vasconcelos dedicou este prémio “a todos os internistas, particularmente os conhecidos, que comigo o mereciam tanto ou mais do que eu”.



O prémio foi entregue por Manuel Teixeira Veríssimo, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, e João Araújo Correia, diretor do Serviço de Medicina 1 do Hospital Geral de Santo António/Centro Hospitalar do Porto.




Colocar o doente "sempre no centro"


Por ocasião da entrega do prémio, Carlos Vasconcelos deixou 10 conselhos aos jovens “candidatos a internistas”:
1. Sejam humanos.
2. Sejam científicos e, por isso, sistemáticos e rigorosos.
3. Sejam ambiciosos e inovadores.
4. Sejam custo-efetivos.
5. Partilhem.
6. Respeitem as guidelines, mas coloquem o doente sempre no centro.
7. Façam investigação, mas não desperdicem recursos.
8. Publiquem, de preferência, em revistas indexadas.
9. Aprendam com os insucessos, perdas e erros.
10. Não saibam só fazer Medicina.





Carlos Vasconcelos nasceu em 1952. É natural S. João da Madeira, mas desde os 13 anos que vive no Porto. Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Porto, tendo entrado no Hospital de Santo António em janeiro de 1977.

Numa entrevista que concedeu à Just News, o internista confessou que desde cedo percebeu que o seu campo era a Medicina Interna, por ser “uma das especialidades em que é possível ir sempre mais longe”, pois, há diversos tipos de Medicina Interna. Por outro lado, “trata-se de uma especialidade pluripotencial, o que permite a diferenciação em variadíssimas áreas”, o que “não significa que todos tenham a capacidade de fazer tudo, mas todos têm a capacidade de fazer o que quiserem, desde que trabalhem e se diferenciem na área”.

Para Carlos Vasconcelos, a Imunologia era um caminho claramente a percorrer e, no internato, acabou por fazer um ano de Imunologia. “Mesmo durante o estágio em Medicina Interna, ia todos os dias, entre as 16.00 h e as 19.00 h, para o Laboratório, precisamente porque me apaixonei por esta área”, esclarecendo que começou pelas imunodeficiências adquiridas ainda antes de saber que era provocada por um vírus, em 1982. O lúpus foi sempre uma paixão, que o levou mais tarde a desenvolver uma tese de doutoramento nessa área.





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