«A ecocardiografia continuará a ser o exame de primeira linha na avaliação do doente cardíaco»

Com o desenvolvimento de novas técnicas de imagem, o Laboratório de Ecocardiografia do Hospital da Luz Lisboa organizou um curso sobre os avanços nesta técnica, alertando também para a sua importância. ‘Echocardiography in the Multimodality Imaging Era: Comes alive!’ decorreu no último fim-de-semana e contou com 100 participantes.

“Na era da imagem multimodalidade, com o advento de novas técnicas, a ecocardiografia continua e continuará a ser o exame de imagem de primeira linha na avaliação do doente cardíaco”, começa por referir Nuno Cardim, cardiologista, coordenador do Laboratório de Ecocardiografia do Hospital da Luz Lisboa e da Comissão Organizadora deste evento.

Ressalva, no entanto, que “todas as técnicas têm o seu valor e não podem ser vistas como concorrentes, mas como complementares”. Como salienta, “cada doente deve fazer a técnica que a ele melhor se adequa naquele momento”, alertando para a tendência de prescrição concomitante de várias técnicas, que “originam informação repetida e redundante, além de acarretarem um custo económico acrescido para doentes e sistemas de saúde”.


Nuno Cardim

Como principais vantagens, o especialista, que é também coordenador da Unidade de Imagiologia Cardíaca do mesmo hospital, destaca que a ecocardiografia “não utiliza radiação, é um método barato, rápido, realizado à cabeceira do doente, inócuo, que oferece um resultado imediato”.

Enquanto admite que outras técnicas terão indicações mais restritas, “a ecografia abrange um maior número de indivíduos”. E justifica: “Muitos doentes não podem fazer ressonância magnética porque sofrem de claustrofobia ou têm próteses metálicas; outros, pela alergia ao contraste ionizado, não podem recorrer à tomografia axial computadorizada; por outro lado, a cintigrafia apresenta uma elevada dose de radiação.”

No entanto, como todas as técnicas, também a ecocardiografia apresenta desvantagens, e, na opinião do cardiologista, “a sua grande limitação é a janela acústica, apresentando uma qualidade de imagem deficitária numa pequena percentagem de doentes, sobretudo respiratórios e obesos”.

Realizando cerca de 15 mil ecocardiografias transtorácicas por ano, 500 ecocardiografias transesofágicas e 250 exames de sobrecarga, o Laboratório de Ecocardiografia do Hospital da Luz Lisboa, que possui acreditação europeia pela Associação Europeia de Imagem Cardiovascular (EACVI), recebeu quatro novos ecógrafos topo de gama no final do ano passado. “Com este investimento, vamos conseguir aumentar ainda mais a nossa capacidade, em termos de quantidade e qualidade”, realça.


Elementos da Comissão Organizadora do curso Echocardiography in the Multimodality Imaging Era: Comes alive!

Contando com um painel de palestrantes e moderadores do Grupo Luz Saúde, o objetivo foi, no primeiro dia, “abordar os grandes avanços em ecocardiografia, nomeadamente no ecocardiograma transesofágico, no ecocardiograma de sobrecarga e nas técnicas de deformação miocárdica”. Já no sábado foram discutidos casos clínicos relativos a estas técnicas.

O leque de elementos que integram a Comissão Organizadora, que abrange médicos, enfermeiros e cardiopneumologistas, é representativo do modo de atuação do Laboratório de Ecocardiografia, onde “funcionamos em equipa, como um todo”.



Na ótica de Nuno Cardim, esta temática “interessa não só aos cardiologistas, mas também aos nossos grandes referenciadores, nomeadamente internistas e médicos de Medicina Geral e Familiar, que, frequentemente, solicitam estes exames e, muitas vezes, não se encontram familiarizados com o espectro de informação que estes podem oferecer, nem com as indicações e contraindicações de cada um”.

Realizado sob a forma de webinar, as sessões estarão disponíveis durante um mês.


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