A importância da especialidade de Medicina Interna na Medicina Cardiovascular

De acordo com Manuel Teixeira Veríssimo, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), "a especialidade de Medicina Interna, com a sua visão holística e capacidade de integrar os dados fracionados provenientes de outras especialidades, bem como de trabalhar com a pluripatologia, apresenta-se assim numa posição ímpar para lidar com o doente com patologia cardiovascular e seus fatores de risco".

Na sua opinião, "a Medicina Cardiovascular é, cada vez mais, não uma medicina de órgão, mas sim uma medicina global, em que, para além do coração e vasos, também outros aparelhos e sistemas estão afetados."

"Um bom exemplo", refere Manuel Teixeira Veríssimo, é a diabetes, "um importante fator de risco cardiovascular que, tendo como base anomalias da secreção e utilização da insulina, se associa a um conjunto de fatores de risco cardiovascular, como a hipertensão arterial, a dislipidemia, a doença renal e o estado pró-trombótico, entre outros, que exigem uma abordagem multidimensional integrada e, eventualmente, um enquadramento com patologia crónica coexistente".

O presidente da SPMI destaca, no artigo publicado na LIVE Cardiovascular e intitulado "A importância da especialidade de Medicina Interna na Medicina Cardiovascular", que a Medicina Interna, "para além da resposta geral aos doentes internados e de ambulatório com patologia cardiovascular, tem vindo, ao longo dos anos, a diferenciar-se em áreas particulares da Medicina Cardiovascular, quer a nível de internamento, como é o caso das unidades de AVC e de insuficiência cardíaca, quer a nível de ambulatório, como acontece com as consultas de hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes ou risco vascular, largamente difundidas pelos serviços de Medicina Interna do país".

Manuel Teixeira Veríssimo recorda que mais de metade da população tem doença cardiovascular ou risco aumentado para a mesma, sendo que, "na maioria das situações, o risco é polifacetado e intrincado, necessitando, por isso, de ser avaliado e orientado por especialidades generalistas, como a Medicina Interna, capazes de globalmente responderem às necessidades, também globais, do doente com patologia e risco cardiovascular."

O presidente da SPMI conclui o seu artigo de opinião, publicado na mais recente edição de LIVE Cardiovascular, salientando que, "fruto da sua base multidisciplinar, a Medicina Interna é hoje uma especialidade capaz de responder adequadamente ao doente tipo da chamada Medicina Cardiovascular, que se caracteriza por ser um doente idoso, com patologia crónica, múltipla e polimedicado, o qual necessita de uma avaliação holística e integradora, olhando não apenas para o problema isoladamente, mas também para o problema inserido no conjunto de todos os problemas do indivíduo".



Imprimir