«A Medicina Interna segue nesta Unidade de Faro mais de 1000 pessoas com diabetes»

Não foi isso que a motivou a querer ser médica, algo que sempre desejou desde pequena, mas a ligação de Ana Baptista à diabetes aconteceu por volta dos 6 anos, por causa de um primo da mesma idade que tinha a doença. “Há 40 anos, não havia canetas de insulina, os glucómetros eram rupestres, tirar uma gota de sangue para medir a glicemia era horrível e uma ida à praia obrigava a transportar uma maleta com várias seringas e ampolas de insulina”, recorda.

Nasceu em Lisboa há 45 anos, mas desde criança que vive no Algarve. Fez o curso de Medicina na República Checa, o internato Geral em Portimão e em 2007 iniciou a sua formação em Medicina Interna no Hospital de Faro. Procurou logo a ligação à diabetes, mas só no 2.º ano do internato começou a assistir às consultas. “No 4.º ano, comecei com uma agenda de DM1 e no ano seguinte de diabetes gestacional. Portanto, quando me tornei especialista, em 2012, já fazia estas duas consultas”, recorda.



Criada em 1988, teve anteriormente outras denominações, mas quando Ana Baptista assumiu oficialmente a sua coordenação, em outubro de 2023, já se chamava Unidade de Diabetologia. Mobilizando seis internistas e duas enfermeiras, apenas a coordenadora e a sua colega Sofia Amálio estão, se retirarmos o tempo dedicado à Urgência, inteiramente dedicadas ao projeto (20 a 28 horas semanais). O espaço é partilhado com duas pediatras.

Sofia Amálio, também com 45 anos, e que foi das primeiras pessoas a nascer no hospital onde trabalha, formou-se em Lisboa, na FMUL, e o facto de ter feito o internato da especialidade no seio de uma equipa com muita gente dedicada à diabetes, no Hospital dos Capuchos, fez nascer o seu interesse por esta patologia.

“Somos dos grupos de MI a seguir mais pessoas com DM1 e diabetes gestacional no país”, refere Ana Baptista, indicando que acompanham mais de 600 doentes com DM1, uns 300 com DM2 e, habitualmente, cerca de 300 grávidas com diabetes por ano. Importa esclarecer que haverá muitos outros casos de DM2 que são assistidos na Consulta de MI.

Atendendo uma significativa população de estrangeiros a residir no Algarve, de uma variedade cada vez maior de países, incluindo o Nepal, o Bangladesh, a Ucrânia, o Brasil, o Reino Unido e, mais recentemente, os EUA e a Itália, “verifica-se que, de uma forma geral, o tratamento é homogéneo”.


Ana Baptista

“Nalguns casos, os hábitos alimentares são muito diferentes dos nossos. Para situações específicas, temos o apoio da Consulta de Nutrição. Mas, por vezes, a grande dificuldade até é perceber o que realmente as pessoas comem, e temos a necessidade de nos adaptar”, comenta a médica.

A Unidade de Diabetologia localiza-se num pequeno corredor, dispondo de quatro gabinetes, dois para os médicos (internistas e pediatras), que vão rodando pelos mesmos, e os outros destinados às enfermeiras Cristina Mendonça e Sílvia Brito.

Para Ana Baptista, a falta de espaço é o que mais penaliza a atividade da Unidade: “Precisávamos de mais gabinetes médicos, para podermos não só ver mais, mas também para termos mais tempo com os doentes. E também de um outro gabinete para uma terceira enfermeira, porque o trabalho que têm é muito. Servem a diabetes pediátrica, as grávidas, a DM1 e a DM2. Para além de que, nesta fase em que as bombas de insulina estão a ser colocadas com uma frequência maior, é praticamente necessário um único elemento da enfermagem dedicado aos sistemas de perfusão contínua de insulina, o que na nossa ULS, por enquanto só se faz aqui em Faro, tanto em crianças como em adultos.”



Um aspeto bastante positivo, e que a coordenadora da Unidade faz questão de salientar, é a proximidade física que existe com a Consulta de Diabetes Pediátrica, assegurada pela médica Manuela Calha, que agora tem a ajuda da pediatra Guida Gama.

“O facto de termos um espaço partilhado permite-nos conhecer as crianças, não havendo o choque da transição quando atingem a idade adulta. As enfermeiras são as mesmas e habitualmente nós, se não os conhecemos já, somos mesmo apresentadas aos nossos futuros doentes quando eles têm a última consulta com a pediatra”, salienta Ana Baptista.


A reportagem completa aos serviços de Medicina Interna da ULS Algarve (unidades de Portimão-Lagos e de Faro) e à Unidade de Alvor do Grupo HPA Saúde pode ser lida na LIVE Medicina Interna 35 - Jan.-Abr. 2026.

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