«A prestação de cuidados pediátricos assenta na cooperação entre diferentes especialidades»
Com uma ligação muito especial aos cuidados de saúde primários, a atual presidente da SPP admira o trabalho desenvolvido pelos médicos de família, sublinhando que a comunicação é essencial para que haja uma boa articulação entre diferentes especialidades médicas. Sempre se dedicou à Pediatria Geral e é o que quer continuar a fazer.
A conversa com Mónica Oliva aconteceu a meio do mês de abril e teve como palco o Hospital Pediátrico, em Coimbra, a que está ligada desde que ali iniciou o então designado Internato Complementar de Pediatria, em janeiro de 2000. Cumpre um mandato de 3 anos à frente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, mantendo-se em funções como presidente até 31 de dezembro de 2028..jpg)
Mónica Oliva
Mónica Oliva fala em “modelo de sucesso” quando se refere à forma como está estruturada em Portugal a prestação de cuidados de saúde infantil e juvenil. “Os médicos de Medicina Geral e Familiar fazem a vigilância de saúde, são também responsáveis pela orientação da doença aguda não complexa e temos assistido a uma evolução muito significativa na sua formação”, afirma, acrescentando:
“Nós temos muito bons médicos de família, o que tem contribuído decisivamente para os indicadores de saúde tão positivos que, de uma forma geral, se têm registado. As dificuldades existentes estão muitas vezes relacionadas com constrangimentos de acesso e organização dos serviços, mais do que com a qualidade da resposta profissional.”
A presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria realça, por outro lado, a boa articulação que existe entre a Obstetrícia, a Pediatria e a MGF para justificar o facto de sermos “um
exemplo mundial” na redução da taxa de mortalidade infantil. “Não nos esqueçamos que é, de facto, muito importante aliarmos o haver critérios de referenciação bem definidos à comunicação que deve ser sempre promovida entre as diferentes especialidades”, frisa.
Há, contudo, um aspeto em que, no entender de Mónica Oliva, “ainda temos um caminho a fazer” e que se prende com a “identificação da doença”, ou seja, “existe patologia muito prevalente que poderia, eventualmente, ser orientada a nível dos cuidados de saúde primários”. E exemplifica:
“Em muitas crianças referenciadas por dor abdominal identifica-se, na primeira consulta, uma obstipação ligeira, de fácil controlo. É um exemplo entre outros! Mas também acredito que quem referencia é porque não se sente confortável com a situação… E assumo que a minha visão possa ser um pouco hospitalocêntrica, porque a verdade é que, para cada caso referenciado, há outros que não o são.
Convém não esquecer que nós só avaliamos o que recebemos, desconhecemos o que não nos chega!” Como não podia deixar de ser, a questão da referenciação é sempre abordada no curso que a Unidade Coordenadora Funcional de Pediatria da ULS de Coimbra realiza de dois em dois anos (o último foi em2025). Tendo sido, em 2009, uma das fundadoras desta UCF, Mónica Oliva assumiu a sua coordenação em 2015 e é com visível entusiasmo que se refere a esta ação de formação, que já vem, obviamente, do tempo dos ACES (agrupamentos de centros de saúde) e que, com a criação da ULS, até passou a ter um apoio acrescido na gestão prática de alguns aspetos.
“Como os internos de MGF já vão fazendo muita formação, este curso foi idealizado para ser essencialmente dirigido aos médicos de família, que não têm tanta disponibilidade de tempo para participar neste tipo de ações, mas também aos enfermeiros de família”, explica.
Mónica Oliva tem uma manifesta preocupação com a fluidez da comunicação, defendendo, aliás, que a mesma deve ser bidirecional, do hospital para os CSP e vice-versa, havendo, para tal, interlocutores identificados nas várias dezenas de unidades que integram a ULS. Adicionalmente, foi criada a figura da consultadoria clínica, tendo cada USF um pediatra atribuído, a quem pode ser colocada qualquer dúvida que surja.
“Mais do que uma identificação, ser pediatra é uma marca" ou o Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos”, diz, para concluir: “Tenho a sorte de poder contar com uma equipa formada por elementos comprometidos com o projeto e de muito valor científico e profissional.”
Aqui ficam os restantes nomes da atual Direção da SPP: Henrique Soares (vice-presid.), Liane Costa (secret.-geral), Luís Rodrigues (tesoureiro), Cláudia Melo (secret.-adj. norte), Joana Campos (secret.-adj. centro), Catarina Gouveia (secret.-adj. sul), Paula Maciel (secret.-adj. Regiões Autón.), Cândida Cancelinha (secret.-adj. Socied. e Secções), Ana Brett, Diana Pinto e Rute Baeta Baptista (suplentes)..jpg)
A entrevista completa pode ser lida no Jornal Médico de junho.


