A prevenção cardiovascular «tem de ser feita de forma multidisciplinar»

No combate à doenças cardiovasculares, "os médicos de família têm um papel muito importante, porque são, regra geral, a primeira porta a que se vai bater", afirma Pedro Marques da Silva, consultor de Medicina Interna, coordenador do Núcleo de Investigação Arterial e da Consulta de Hipertensão Arterial e Dislipidemias da Medicina 4 do Hospital de Santa Marta (CHLC, EPE).

Na sua opinião, "o problema da prevenção cardiovascular em Portugal é essencial face aos anos perdidos de vida, devido às comorbilidades associadas a doenças cardiovasculares, assim como à elevada mortalidade que lhes está associada. Perante este problema de saúde pública, os profissionais de saúde sentem a necessidade de trabalhar em conjunto com os vários colegas e entidades." E acrescenta: "Somos todos muito poucos para combater as doenças cardiovasculares e a intervenção tem de ser, obrigatoriamente, feita de forma multidisciplinar."

Em entrevista à Just News, Pedro Marques da Silva explica que as Jornadas de Prevenção do Risco Cardiovascular para Medicina Familiar, reunião cuja 9ª edição se realizou há dias e à qual presidiu, surgiram porque "exige-se tanto aos médicos de família que, inevitavelmente, é preciso existirem momentos onde possam aprender, ensinar e partilhar experiências." Sublinha ainda que os "médicos de família não vão às Jornadas apenas para aprender. Aprendemos todos uns com os outros, o objetivo é mesmo partilhar."

E, a propósito deste diálogo entre pares, considera que só dessa forma "se conseguem prestar bons cuidados de saúde à população. Os frutos são, assim, para a população, mas também para nós, dos cuidados hospitalares, e para os colegas da Medicina Familiar."



Olhar ao espelho «e gostar da nossa imagem»

No final da entrevista, cuja versão completa foi publicada no Jornal das 9.as Jornadas de Prevenção do Risco Cardiovascular para Medicina Familiar, e questionado sobre qual o seu lema de vida, Pedro Marques da Silva responde da seguinte forma:

"Baseia-se em duas frases. São Paulo dizia: ´Que Deus me dê serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir entre elas.` E Jesus, interpelado sobre se vinha mudar a lei, respondeu: ´Não, venho para a escrever nos vossos corações.` O que quero dizer é que podemos enganar os outros, mas a nós mesmos não. Devemos todos os dias olhar-nos ao espelho e gostar da nossa imagem. Não nos conseguimos ver na perfeição, mas, pelo menos, que essa imagem não nos assuste."

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