Academia de Farmácia de Castela e Leão distingue investigação da Universidade de Coimbra

O estudo "Efecto de una leche fermentada con fitoesteroles combinada con estatinas en lípidos y marcadores del metabolismo del colesterol en adultos mayores", desenvolvido na Universidade de Coimbra (UC), foi distinguido com o Prémio anual relativo a 2016 da Academia de Farmácia de Castela e Leão, Espanha, na categoria de Trabalhos de Investigação Básica ou Clínica no campo das Ciências Farmacêuticas.

Da autoria de Isabel Andrade, Lèlita Santos e Fernando Ramos, a investigação foi efetuada nos Laboratórios de Bromatologia e de Análises Clínicas da Faculdade de Farmácia da UC após aprovação da Comissão de Ética da Faculdade de Medicina e da autorização das instituições de idosos (Casa do Povo da Abrunheira, Casa dos Pobres de Coimbra e Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho) que contribuíram para a realização do estudo.

Este trabalho fez parte do Doutoramento de Isabel Andrade e, de acordo com a UC, "foi o primeiro, a nível mundial, a estudar o efeito simultâneo de fitoesteróis e de estatinas no perfil lipídico e no metabolismo do colesterol em idosos, com valores de colesterol-LDL inferiores a 130 mg/dL".

Sabendo-se que a incidência da hipercolesterolémia que se encontra grandemente associada ao aumento da idade está relacionada com a disrupção do metabolismo do colesterol causada pela progressiva perda de homeostasia característica do processo de envelhecimento, o estudo premiado foi realizado em pessoas com mais de 65 anos de ambos os sexos, com hipercolesterolémia, a tomar estatinas regularmente.

Foram avaliados, para além dos parâmetros habituais de colesterol total, colesterol-HDL, colesterol-LDL e triglicerídeos, também os percursores do colesterol (desmosterol e latosterol) utilizados como indicadores da sua síntese endógena, e os fitoesteróis (sitosterol e campesterol), como indicadores de absorção por via da dieta, através da técnica de cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa.

Os dados obtidos, após os dois períodos consecutivos de três semanas de intervenção, «confirmaram o efeito hipocolesterolemiante da toma de 2 g/dia de fitoesteróis, através do consumo de um iogurte líquido suplementado, em combinação com uma estatina. O benefício da associação de um inibidor não-farmacológico da absorção do colesterol (os fitoesteróis do iogurte) a estatinas, na redução absoluta do colesterol-LDL foi evidente, tendo-se verificado mesmo para concentrações de colesterol-LDL baixas (inferiores a100 mg/dL), em idosos cujo metabolismo basal é já diminuído», afirmam os investigadores.

A Academia de Farmácia de Castela e Leão considerou, na atribuição do prémio, que a utilização de medicamentos com alimentos suplementados com fitosteróis na população idosa, não deixa de ser um relevante contributo para os avanços científicos em saúde uma vez que inclui a problemática das doenças cardiovasculares, a abordagem terapêutica mais comum com estatinas e a população idosa: três importantes assuntos na atualidade para a profissão Farmacêutica.

Imprimir


Médicos de família assinalam Dia Mundial da Asma 2019 na Sertã