ACES Sintra já tem a primeira equipa de apoio em Cuidados Paliativos

Foi apresentada há dias a primeira Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos (ECSCP) do ACES Sintra, que vai prestar cuidados diretos até 10 utentes, em fase terminal, no domicílio.

A propósito desta medida há muito aguardada, a coordenadora médica, Daniela Runa, afirma à Just News que este foi “um sonho tornado realidade, que vai beneficiar doentes e familiares num ACES que tem cerca de 420 mil habitantes inscritos e que não tinha ainda uma ECSCP”.

A ECSCP Cacém/Queluz vai também ter uma função de consultadoria às unidades funcionais da sua zona de abrangência, além de ser uma equipa referenciadora para outro tipo de unidades de cuidados paliativos. “A nossa principal missão é minimizar o sofrimento, promovendo dignidade e qualidade de vida através da prestação de cuidados personalizados e interdisciplinares”, salienta a médica de família.

Os utentes que podem ter acesso ao apoio desta equipa têm de cumprir alguns requisitos, como ter domicílio na área, uma doença sem cura e sofrimento intenso e/ou sintomas não controláveis, além de um cuidador informal.

Elementos da equipa: Ana Raposo (Enfermagem), Ângela Brito (Fisioterapia) , Mónica Ferreira (Serviço Social), Maria Ana Sobral (Medicina); Teresa Montano (Psicologia), Adelaide Belo (Enfermagem), Ana Henriques (Medicina), Ana Paula Calçada (Enfermagem), Daniela Runa (Medicina) e Petra Chaves (Medicina). 


Uma equipa que começou do zero

Petra Chaves, também médica de família, foi a mentora deste projeto. “A ideia da constituição da ECSCP surgiu porque sentiu-se no terreno que era preciso dar apoio a estes utentes, que têm direito a ter cuidados de qualidade, com dignidade, na fase final da sua vida”, esclarece.

Como não existia qualquer estrutura de base no ACES Sintra, a médica conta que se começou por realizar, em 9 de outubro de 2015, o 1.º Encontro de Cuidados Paliativos do ACES Sintra: “Foi uma forma de se partilhar expectativas e experiências, de se chamar a atenção para a importância deste tipo de cuidados e também de se saber quem eram as pessoas interessadas em fazer parte deste projeto”.



Na sequência deste evento, foi formada a equipa, constituída por quatro médicas de família, três enfermeiras, uma psicóloga, uma assistente social, uma fisioterapeuta e uma administrativa. Além dos estágios nas ECSCP - ACES Arrábida e ACES Odivelas/Pontinha, conseguiram também um espaço físico no edifício do ACES Sintra e uma viatura.

De acordo com Petra Chaves, as principais dificuldades, desde 2015 até à finalização e entrega do projeto, em outubro deste ano, foram a conjugação de agendas, as barreiras logísticas e organizativas e a distância física dos profissionais. “Somos um ACES muito grande, não foi fácil juntar todos os elementos da equipa, mas a forte motivação para prestar melhores cuidados aos utentes superou todas as barreiras”, garante a médica.

E acrescenta: “Começámos do zero, ninguém se conhecia, apenas tínhamos em comum a vontade de criar um projeto que fosse realmente sustentável.”


Petra Chaves e Daniela Runa

A vontade de fazer a diferença é tão grande que, como salienta, candidataram-se à Missão Sorriso com o projeto “Alimentação em fim de vida: Da(r) alma à realidade”, que se encontra em fase de votação. “O que se propõe é a avaliação sistemática e interdisciplinar das causas das alterações nutricionais, assegurando-se planos individuais de cuidados que promovam conhecimentos e competências que permitam ao doente, cuidador e família gerir adequadamente as reais necessidades”, explica.

Pretende-se também sensibilizar e capacitar os profissionais para as questões nutricionais mais relevantes em cuidados paliativos:

“As estratégias e metodologias identificadas visam o recurso à visita domiciliária, implementação de novas tecnologias para informação/formação, conceção e realização de materiais informativos em diferentes formatos, com a participação ativa do doente, cuidador, família e profissionais, contribuindo para o empowerment dos intervenientes e para a sustentabilidade do projeto.”

"Não basta uma equipa"

No futuro, esperam vir a alargar a sua atividade, fazendo consultadoria a todas as unidades funcionais do ACES Sintra, ações formativas a profissionais de saúde e a cuidadores. Organizar uma Consulta de Cuidados Paliativos e apostar na investigação constituem também um objetivo. “Não basta uma equipa, o ACES Sintra é muito grande, estamos disponíveis para partilhar a nossa experiência e conhecimento”, enfatizou.


Petra Chaves, Edna Gonçalves, Nuno Venade, Eduardo Quinta Nova, Ana Andrade e Daniela Runa

Na cerimónia de apresentação da ECSCP Cacém/Queluz estiveram também Edna Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos, Nuno Venade, vogal da ARS Lisboa e Vale do Tejo, Eduardo Quinta Nova, vereador da Câmara Municipal de Sintra, e Ana Andrade, diretora do ACES Sintra.



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