Afetos e Saúde em Coimbra: FMUC sensibiliza para a «problemática do VIH/SIDA»

Arrancou esta quarta-feira em Coimbra o Ciclo de Palestras “Afetos e Saúde”, organizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e a Fundação Portuguesa "A Comunidade Contra a SIDA" (FPCCSIDA). Segundo Marília Dourado, uma das suas promotoras, a iniciativa tem como finalidade “contribuir para a literacia e saúde”.
A primeira sessão, intitulada “Amores e desamores”, que teve lugar na FMUC, ficou marcada pela assinatura de um protocolo entre as duas entidades.

De acordo com a professora associada da FMUC, este ciclo tem como objetivo “reforçar o conhecimento de temas relacionados com a saúde e a afetividade dos seres humanos e contribuir para o desenvolvimento de competências pessoais e sociais, bem como aproximar a comunidade científica da população”.



“Os afetos estão na base de muitos dos problemas com que nos defrontamos. ‘Amores e desamores’ abordou as relações de intimidade na vertente positiva e gratificante, mas também na sua pior vertente a da violência com tudo o que isso implica”, explica a coordenadora do Mestrado em Cuidados Continuados e Paliativos da FMUC.

“As manifestações de afetividade estão na base da qualidade de vida do ser humano, desde a sua conceção até ao momento da sua morte e condicionam positiva ou negativamente a sua saúde mental, física e social”, menciona.

Entre outros temas, na primeira sessão discutiram-se questões como a “Sexualidade e Sida: 40 anos depois” e a nova realidade que existe neste âmbito, assim como “Infertilidade e VIH”.


Margarida Silvestre, regente da Unidade Curricular de Ética, Deontologia e Exercício Profissional da FMUC, abordou o tema "Infertilidade e VIH"

"Ir ao encontro da comunidade"

Para Marília Dourado, que assume igualmente a Direção do Gabinete de Relações Internacionais e Interinstitucionais da FMUC, faz todo o sentido "continuar a investir na sensibilização da população para a problemática do VIH/SIDA" e explica porquê:

“Embora os dados animadores do último relatório da Direção-Geral da Saúde que nos colocam numa posição favorável, face aos últimos 35 anos, o que acontece é que a nível europeu não estamos assim tão bem colocados, nomeadamente nas camadas mais jovens, até aos 23 anos, e nos mais velhos, acima dos 65 anos e em homens e que têm sexo com homens.”

Na sua opinião, “temos a obrigação de ir ao encontro da comunidade, é também função da Universidade a difusão do saber na comunidade em geral".

A próxima sessão terá lugar em abril e irá focar-se na liberdade e “democracia e saúde no acesso aos cuidados - o que/como mudou”.

"Materialização formal de uma colaboração efetiva e próxima"

Em declarações à Just News, Duarte Nuno Vieira, diretor da FMUC, destaca que o protocolo agora assinado com FPCCSIDA “é a materialização formal de uma colaboração efetiva e próxima que já existe desde há muito, e que tem envolvido múltiplos elementos da FMUC”.

Considera também que "representará uma oportunidade para um reforço de atividades conjuntas e de uma cooperação ainda mais estreita e profícua”.


Duarte Nuno Vieira e Filomena Frazão de Aguiar

Segundo refere, a Faculdade que representa “associa-se sempre, com o maior gosto, a todas as organizações e entidades credíveis que estejam interessadas em promover iniciativas conjuntas relevantes, e que extravasem também a comunidade universitária e científica, cumprindo a missão social de promoverem um melhor conhecimento de realidades e problemáticas, que são particularmente importantes nos dias de hoje”.

Duarte Nuno Vieira recorda que a FMUC tem concretizado a assinatura de múltiplos protocolos de colaboração com entidades diversas. “São protocolos que visam sempre promover sinergias e rentabilizar recursos, estimulando a formação e o ensino, a investigação científica, a divulgação do conhecimento e até a prestação e serviços à comunidade em áreas diversas, nas quais a FMUC e as instituições parceiras assumem papel de destaque e de liderança”.

O diretor da FMUC realça que nos seus cerca de 25 anos de existência a FPCCSIDA tem concretizado um trabalho “muito meritório” e a diversos níveis, envolvendo projetos abrangentes e cobrindo todo o país, proporcionando apoios e respostas que, provavelmente, não teriam sido possíveis sem ela.

Segundo o diretor da FMUC, o ciclo de palestras que agora se iniciou é uma das múltiplas ações que estão calendarizadas para 2018.

Sobre a FPCCSIDA

Marília Dourado lembra que a  Fundação Portuguesa "A Comunidade Contra a SIDA", presidida por Filomena Frazão de Aguiar, foi fundada em 1992 para responder às necessidades das pessoas seropositivas e seus familiares.

No entanto, refere, o âmbito da sua intervenção foi-se alargando e, em 2001, foi criado o Centro de Aconselhamento e Orientação de Jovens (CAOJ), centrado na prevenção e educação de jovens, tendo evoluído para um projeto, ainda em curso, de Educação pelos Pares em resposta ao alargamento de um projeto de voluntariado (formação) para intervir em escolas, estabelecimentos prisionais, centros educativos, casas de acolhimento e bairros sociais, formando e educando para a saúde.



“Pretende-se com este projeto trabalhar a autoestima, a afetividade, a comunicação e outras competências pessoais e sociais que se refletem na saúde das pessoas”, menciona a professora associada da FMUC, que tem estado ligada à FPCCSIDA através da colaboração em várias iniciativas, entre as quais a de formadora no curso de Formação Científica de Voluntários para Intervenção no Projeto Nacional de Educação pelos Pares.

Há depois outros projetos que trabalham a sexualidade, abordam as relações de intimidade nos diferentes aspetos e também o da violência e o de igualdade de género. Outra área de intervenção é a dos consumos abusivos de substâncias psicoativas e álcool. A Fundação de âmbito nacional, tem delegações no Porto, Coimbra, Beira Alta, Lisboa, Setúbal e Funchal.



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