Para diagnosticar a «alergia à chuva» é necessário ser «um autêntico detetive»

A suposta “alergia à chuva”, que se revelou num caso grave de urticária ao frio, foi um dos casos clínicos apresentados nas 8.as Jornadas de Alergologia Prática. Sob o tema “?! Ficheiros Secretos?!”, o evento, que teve início esta sexta-feira, na Ericeira, reúne cerca de duas centenas de participantes e é presidido por Mário Morais de Almeida.



“Os sintomas da alergia podem não ser os mais comuns, sendo necessário apurar e perceber o que poderá ter originado a reação alérgica, mesmo quando são situações muito misteriosas”, referiu o imunoalergologista.

Para Mário Morais de Almeida, “com estas Jornadas, pretendemos alertar os colegas da Medicina Geral e Familiar (MGF), assim como os técnicos de Cardiopneumologia, para os casos clínicos mais complexos e estranhos, com determinadas particularidades”.

Em suma, é preciso ser um “autêntico detetive”, até porque “nem todos os asmáticos são iguais, nem todas as queixas de rinite, alergia alimentar ou medicamentosa são idênticas, o que exige maior atenção e noção do que realmente está a provocar os sintomas”.


Mário Morais de Almeida

Exemplo disso mesmo foi a suposta “alergia à chuva”. “Tratava-se de um jovem que, há 25 anos, teve uma manifestação anafilática que se veio a revelar uma urticária muito grave ao frio. Atualmente, apesar de apresentar alguns sintomas, está devidamente controlado e consegue fazer uma vida normal”, disse à Just News o especialista.

“Os médicos de família devem estar alertados para casos menos comuns para que, quando necessário, possam referenciar atempadamente, mas também para darem uma resposta adequada, que promova a qualidade de vida.”

Mário Morais de Almeida considera que esta é a melhor forma de “as pessoas com alergia puderem viver tranquilamente, com mais qualidade de vida e bem-estar, mesmo que tenham algum tipo de limitação ou de precauções”. Em suma: “Não é a alergia que tem de tomar conta da nossa vida, temos de ser nós a viver com a alergia.”

O presidente das Jornadas de Alergologia Prática estacou também a realização do curso sobre função respiratória para estudantes e profissionais de Cardiopneumologia e que contou com uma “forte adesão”.



“Ficheiros Secretos” na MGF

Quem também considera que, nesta matéria, pode ser “detetive” é Rui Costa, vice-presidente das Jornadas e coordenador do Grupo de Estudo das Doenças Respiratórias (GRESP) da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

“O médico de família lida com patologias muito vastas e, na maioria das situações, são casos clínicos comuns. Contudo, também há os ‘ficheiros secretos’, que fogem ao dito normal”, afirmou à Just News.


Rui Costa e Mário Morais de Almeida

Cabe assim ao clínico dar a melhor resposta: “Devemos estar alertados para certas particularidades da alergia, para que, sempre que necessário, se referencie o mais atempadamente possível, para que a pessoa tenha acesso a cuidados diferenciados que a ajudem a viver com qualidade e bem-estar, apesar da alergia.”

Quanto ao curso para técnicos de Cardiopneumologia, Rui Costa salienta o papel destes profissionais de saúde: “São fundamentais, mas, infelizmente, ainda há regiões que não têm acesso à espirometria nos CSP. Já avançou alguma coisa nos últimos tempos, mas ainda é preciso muito mais para que se verifique a universalidade no acesso a este exame.”

As Jornadas contaram com o apoio científico do GRESP, da Associação Portuguesa de Cardiopneumologistas, da Associação Portuguesa de Formação Médica Contínua, da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica  (SPAIC) e da Ordem dos Médicos.


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