António Coutinho defende um maior contributo dos médicos para a investigação clínica

Os médicos devem contribuir mais para a investigação clínica, porque “o seu papel é tratar e também contribuir para a evolução do conhecimento”. Quem o defende é António Coutinho, ex-diretor do Instituto Gulbenkian de Ciência e membro do Conselho de Curadores da Fundação Champalimaud.

O especialista participou no evento “Focus on Autoimmune Diseases”, que se realizou recentemente e que permitiu a comemoração dos 21 anos da Unidade de Doenças Autoimunes do Hospital Curry Cabral - Centro Hospitalar Lisboa Central.

No âmbito dessa reunião, organizada pela Unidade de Doenças Autoimunes do Hospital Curry Cabral e pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, referiu, em declarações à Just News, que os médicos “devem comunicar mais com os investigadores que estão no laboratório”.

No seu entender, o ideal seria “existirem ‘médicos cientistas’, como acontece já nalguns países”. Contudo, “como tal ainda não é possível, na maioria dos casos, é preciso sensibilizar para a importância de existir um maior diálogo entre quem está à cabeceira do doente e quem está no laboratório à procura de melhores terapêuticas”.

António Coutinho acredita que a falta deste diálogo, de forma mais constante, se deve “à falta de sensibilização dos profissionais de saúde, desde o momento em que entram na faculdade, e à falta de tempo decorrente das suas tarefas diárias”.

Afirma ainda que não compreende "que se possa ficar satisfeito em tratar apenas os sintomas dos doentes. A meta é encontrar a cura, o que ainda não foi possível em qualquer doença autoimune. Não podemos ficar parados, sem dialogar.”

Nuno Riso, coordenador do Núcleo de Doenças Autoimunes da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e da Unidade das Doenças Autoimunes do Hospital Curry Cabral, realçou “a evolução farmacológica registada ao longo destes 21 anos, principalmente com os medicamentos biotecnológicos”. Não deixou, todavia, de salientar “que ainda é preciso apostar mais na investigação, que tem de incluir clínicos e investigadores de laboratório”.

A reunião “Focus on Autoimmune Diseases” contou com a participação de vários especialistas nacionais e internacionais, investigadores, internistas e reumatologistas, entre outros profissionais, porque, como referiu Nuno Riso, “a multidisciplinaridade é a única via de se tratar as doenças autoimunes”.


Podem ser consultadas mais fotos da reunião aqui.

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