APMGF diz que faltam 500 médicos de família na região de Lisboa e Vale do Tejo

O combate às assimetrias existentes no acesso aos cuidados de saúde primários e a contratação de mais médicos de família foram, esta terça-feira, apontados como prioridades na sessão solene que assinalou o Dia Mundial do Médico de Família e que decorreu no Centro de Saúde de Sete Rios, em Lisboa.

Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), defende que “é preciso criar espaço para que o médico de família apareça na comunicação social e no poder político para que seja devidamente valorizado”.

Segundo os dados estatísticos divulgados ontem pela APMGF, cerca de 800 mil pessoas não têm médico de família na região de Lisboa e um terço da população algarvia também não tem acesso a médico. Rui Nogueira alerta que esta é uma carência que não deverá estar resolvida este ano, nem em 2016.

No entanto, olha para a abertura de concursos e para a formação de novos profissionais como uma “janela de oportunidade” para reverter uma carência que já não se verifica no Norte do país, a região com mais unidades de saúde familiar e com mais médicos de família.



Alguns dirigentes da Saúde e figuras históricas da medicina familiar em Portugal participaram na cerimónia que marcou o Dia Mundial do Médico de Família. O palco escolhido foi o auditório do Centro de Saúde de Sete Rios, ontem batizado com o nome de Guilherme Jordão, uma homenagem póstuma ao primeiro doutorado em Medicina Geral e Familiar e médico daquela unidade durante vários anos.



Para José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, esta é a especialidade “mais eclética e mais abrangente” e a que constitui a base de qualquer sistema de Saúde. Considera, por isso, que é preciso atrair mais profissionais para a especialidade, desafiando a tutela a apostar na contratação de mais médicos, uma vez que cerca de 12% dos portugueses não tem ainda médico de família.

Fernando Leal da Costa, secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, correspondeu ao apelo e anunciou a abertura de um concurso para a contratação de 237 médicos e de mais 28 unidades de saúde familiar.

O Ministério da Saúde já autorizou, entretanto, a contratação de médicos reformados, até ao número máximo de 400, para ajudar a colmatar a carência de profissionais nos centros de saúde.



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