As «especificidades clínicas» das doenças reumáticas nos idosos

Algumas doenças reumáticas têm, nos idosos, "especificidades clínicas ou mesmo quadros clínicos diversos dos que encontramos noutros grupos etários", afirma Jaime C. Branco, professor catedrático da Nova Medical School/Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Esclarece que as doenças reumáticas observadas sobretudo nos idosos são a osteoartrose, osteoporose, doença por deposição de cristais de pirofosfato de cálcio, polimialgia reumática, arterite de células gigantes, doença óssea de Paget e RS3PE (remitting seronegative symmetrical synovitis with pitting edema). Quanto às doenças reumáticas com manifestações variáveis nos idosos, indica a artrite reumatóide, gota úrica e lupus eritematoso sistémico.

Em artigo publicado na edição de novembro do Jornal Médico, Jaime Branco refere que as "frequentes comorbilidades e, por essa via, a polimedicação respetiva, bem como as mudanças de eficiência e tolerância associadas à idade, dão também grande relevo e importância a este capítulo da Reumatologia".

Relativamente às "comorbilidades não reumáticas mais frequentes no idoso", explica quais são: doença cardiovascular, HTA, diabetes mellitus, doença cerebrovascular, doença gastrointestinal, DPOC, doença psiquiátrica, doença neurológica.

Jaime Branco explica de seguida algumas das principais características, sintomas e tratamentos das doenças reumáticas que indicou e termina salientando que as doenças reumáticas (DR) são "a causa mais importante de incapacidade física e grande número delas surgem tipicamente nos indivíduos mais idosos. Mesmo as DR que se iniciam mais cedo na vida, dada a sua natureza crónica, tornam-se um peso nas idades mais avançadas."

Na sua opinião, "o previsível aumento da longevidade das populações provocará nos próximos anos o aumento da prevalência e do impacto das DR, nos doentes, suas famílias e na sociedade em geral."

Acrescenta ainda que algumas características laboratoriais específicas dos idosos saudáveis prejudicam a sua utilidade no diagnóstico das doenças reumáticas e que também a terapêutica farmacológica deve ser adaptada aos idosos:

"As comorbilidades e a polifarmácia alteram a farmacocinética e a farmacodinâmica de vários fármacos. Os AINE, um dos grupos farmacológicos mais frequentemente utilizados nos idosos, apresentam efeitos adversos – p. ex., hemorragias digestivas e insuficiência renal – mais frequentes e mais graves nestas idades."



O artigo de Jaime C. Branco pode ser lido na edição de novembro do Jornal Médico, que
dedica várias páginas ao 7º Curso de Reumatologia Prática em Cuidados Primários.

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