Barlavento Algarvio também já tem hospitalização domiciliária, gerida pela Medicina Interna

Apresentado esta terça-feira, 1 de junho, a diversas entidades da região, o projeto é assegurado por médicos e enfermeiros da unidade de Portimão do CHUAlgarve e está no terreno desde 3 de maio. O seu coordenador, Nuno Bernardino Vieira, confirma que os doentes e seus familiares que têm beneficiado do internamento em casa “mostram-se muito gratos com a experiência”.

Responsável por um terceiro setor de internamento entretanto criado no Serviço de Medicina 3 do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, Nuno Bernardino Vieira, 42 anos, não hesitou em aceitar o convite para coordenar a Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) de Portimão.

O modelo aplicado é o do Garcia da Orta, em Almada, que no final de 2020 assinalou o 5.º aniversário da formação da sua UHD, que se caracteriza, nomeadamente, por estar “completamente integrada no Serviço de Medicina Interna”. Para montar o projeto, o médico destaca o apoio dado pelos seus colegas do Hospital de Faro, que já asseguram a hospitalização domiciliária desde 20 de maio de 2019, tendo tratado, em dois anos, 333 doentes.



Nuno Bernardino Vieira

Embora o objetivo seja vir a dispor de duas equipas -- constituídas por um médico e um enfermeiro --, tendo como alvo entre 10 a 12 doentes, neste momento, apenas uma viatura circula diariamente pela região. Para prestar assistência a um máximo de cinco utentes, feitas as contas ao tempo de viagem, é importante que nenhum destes resida a mais de 30 minutos de distância do hospital.


“Como temos a sorte de estar muito próximo da Via do Infante, só não conseguimos chegar mesmo aos concelhos de Aljezur e de Vila do Bispo, ou às serras de Monchique e de Silves, já muito mais a norte do Barlavento Algarvio”, explica Nuno Bernardino Vieira.


O coordenador da UHD de Portimão sabe do que fala. Não havendo médicos dedicados a tempo inteiro ao projeto, é aplicado um regime de rotatividade semanal, tendo feito questão de assegurar, ele próprio, o primeiro turno de cinco dias (de 2.ª a 6.ª), no início de maio.

Prepara-se, aliás, para mais uma semana dedicada à hospitalização domiciliária, enquanto se vai testando a funcionalidade do esquema organizativo implementado, em que, inclusive, quem está escalado para esta tarefa não vê serem-lhe atribuídas funções de urgência ou de internamento.



Por sua vez, a equipa de enfermagem da UHD é fixa e apenas um elemento, transferido da Urgência, não integrava a estrutura do Serviço de Medicina. E parte destes profissionais tem a especialidade de Enfermagem de Reabilitação. Asseguram a visita ao domicílio dos doentes 7 dias por semana e, consoante as necessidades daqueles, duas vezes por dia. De qualquer forma, note-se que o atendimento está disponível 24 h/dia, nos 365 dias do ano.

Estão neste momento agregados à UHD de Portimão, incluindo a coordenação, um total de seis médicos e seis enfermeiros e ainda uma assistente social, uma farmacêutica, uma nutricionista e uma assistente técnica.

“Uma forma de fazer Medicina Interna completamente diferente”


“Está a ser uma experiência muito interessante. É, realmente, uma forma de fazer Medicina Interna completamente diferente. O internista realiza-se muito pelo facto de não só conseguir ver o doente mas também tudo o que o rodeia, porque há um contacto com a família e com o ambiente do local onde aquele reside”, admite Nuno Bernardino Vieira, salientando ainda:

“O doente sente que há uma preocupação da equipa consigo durante aqueles 30 ou 40 minutos, ao contrário do que se passa muitas vezes nas enfermarias, em que normalmente andamos todos muito a correr...”



“Vemos que tanto os doentes como, acima de tudo, os seus familiares se sentem muito gratos com este tipo de experiência. Há mais humanidade porque também é bastante mais próxima a relação entre o profissional de saúde e o utente e a sua família”, sublinha o coordenador da UHD.

As vantagens da hospitalização domiciliária são várias. Nuno Bernardino Vieira refere a possibilidade de se fazer educação para a saúde na residência do próprio utente, a facilidade de proceder à reconciliação terapêutica no momento da alta ou de explicar os ensinos para a abordagem de uma doença crónica.



“Na Medicina Interna, a hospitalização domiciliária é claramente encarada como vantajosa, seja para abreviar internamentos que, de outra forma, se podiam prolongar por mais tempo, como para os evitar logo a partir da Urgência”, afirma o médico.

Confirmando ser fácil identificar doentes em condições de serem colocados em hospitalização domiciliária, desde logo, pelo facto de se tratar de “uma unidade funcional do próprio Serviço de Medicina”, Nuno Bernardino Vieira informa: “Neste primeiro mês de funcionamento, já tivemos doentes da Cirurgia Geral e da Ortopedia.”

 

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