Cadeia da Esperança formou a primeira cardiologista em São Tomé e Príncipe

No início deste ano a organização não-governamental (ONG) Cadeia da Esperança realizou mais uma missão em São Tomé e Príncipe, no Hospital Ayres de Menezes. O acontecimento ficou marcado pelo fim do internato da especialidade de Miryan Cassandra, a primeira cardiologista santomense e a primeira especialista certificada pela Ordem dos Médicos local, organismo recentemente criado.

Myrian Cassandra fez o internato complementar de Cardiologia no Hospital Geral (HG) / Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), durante os anos de 2012 a 2015, usufruindo de uma bolsa de formação da ONG Cadeia da Esperança.

Segundo Marco Costa, do Serviço de Cardiologia do HG (sob a direção de Lino Gonçalves), este internato de Cardiologia, com duração de 3 anos, “assentou num currículo formativo muito dedicado às áreas da Cardiologia Clínica e exames não invasivos”.

Exame final da especialidade de Cardiologia de Myrian Cassandra.

O cardiologista relata que o exame feito por Miryan Cassandra foi “muito semelhante” ao exame final de especialidade em Portugal, com um júri de cinco especialistas, presidido por uma médica especialista de Medicina Interna do Hospital de Ayres de Menezes. Lino Gonçalves, José Manuel Silva (bastonário da Ordem dos Médicos), Nuno Quintal (Serviço de Cardiologia do HG) e Marco Costa foram os restantes elementos.



“A Dr.ª Myrian Cassandra fez os exames prático, curricular e teórico, ficando com uma nota final de 19.2 valores (Excelente)”, conta Marco Costa, acrescentando que, no final do dia, foi altura de celebrar este momento histórico para a ilha, com um jantar e alguns discursos, com muitas pessoas que quiseram associar-se a esta comemoração, como a ministra da Saúde de São Tomé, Maria Jesus Trovoada, e o novo bastonário da Ordem dos Médicos de São Tomé, Martinho Nascimento.


Myrian Cassandra e Marco Costa

Mais a
utonomia na avaliação do doente cardíaco

De acordo com Marco Costa, durante os últimos anos, o Serviço de Cardiologia do  HG-CHUC, apoiado pela Cadeia da Esperança, fez uma série de missões cardiológicas de apoio clínico a São Tomé e Príncipe. Em cada uma dessas missões eram vistos cerca de 200 doentes e no total foram evacuadas várias dezenas para Portugal, “sempre que houvesse justificação clínica para tal”, em especial para os serviços de Cardiologia Pediátrica, Cirurgia Clínica e Cardiologia do HG-CHUC.


“Agora, com mais propriedade e com um contacto mais frequente com uma especialista em permanência em São Tomé, isto poderá ser feito de forma mais eficaz, para evitar atrasos na identificação e tratamento dos doentes do foro cardíaco de São Tomé”, considera.


Marco Costa e Nuno Quintal acompanhados de duas colegas médicas do Centro de Saúde de Cantagalo e da técnica Eudita.


Tradição na formação a países africanos de língua oficial portuguesa


“O Serviço de Cardiologia do HG-CHUC tem uma longa tradição, no que diz respeito a ajuda na formação a países africanos com língua oficial portuguesa", refere Marco Costa. Explica ainda que já foi formada "uma cardiologista angolana, estando agora em fase de formação um especialista de Cabo Verde e estando prevista também iniciar a sua formação uma cardiologista guineense e outro cardiologista santomense".


Marco Costa sublinha as “excelentes qualidades intelectuais e humanas" de Miryan Cassandra, que farão com que venha a ser "uma referência cardiológica futura”. 




A reportagem completa pode ser lida na última edição de LIVE Cardiovascular.


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