Cardiologia de Intervenção e MGF: partilhar informação «de forma bidirecional»
“A MGF é o centro da Medicina. É a especialidade que está sempre junto ao doente”, afirma António Fiarresga, presidente da Reunião Anual da APIC 2017, que está a decorrerno Centro de Congressos de Troia, e que, pela primeira vez, tem um workshop dedicado aos médicos de família.
No entender de António Fiarresga, os cuidados de saúde primários estão com os utentes em todas as situações, desde a saúde até à doença, fazendo sentido incluí-los na reunião anual da APIC, de forma a transmitir-lhes mais conhecimento sobre esta subespecialidade, mas também para perceber melhor quais as suas principais necessidades.
“O médico de família tem um papel essencial junto do doente, não apenas no que respeita ao diagnóstico de algumas patologias, mas também à referenciação no momento certo e, posteriormente, ao seguimento. Quando sai do hospital o doente precisa de ter um profissional que o ajude a gerir a sua doença e os nossos colegas da MGF são fundamentais”, refere o cardiologista de intervenção do Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Santa Marta, Centro Hospitalar Lisboa Central.
Para o presidente da Reunião Anual da APIC 2017, hoje em dia, apenas faz sentido pensar em exercer uma boa Medicina se forem integrados os dois níveis de cuidados. “Os médicos de família vão estar sempre junto dos doentes, portanto, há cada vez mais um conjunto de tarefas que têm ser centralizadas por estes profissionais”, indica António Fiarresga, salientando a sua admiração e respeito pela MGF.
Espaço de transmissão de conhecimento
Realizado no decorrer do terceiro dia da reunião da APIC, isto é, a 18 de novembro, o workshop resulta de uma parceria entre a APIC e a Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), presidida por João Rodrigues, e vai focar temas relacionados com as principais patologias cardíacas passíveis de tratamento percutâneo, as estratégias de diagnóstico e de seleção dos doentes e as dificuldades de referenciação, entre outros aspetos.
“O nosso objetivo é criar um espaço de troca de informação e saber. Há um conjunto de conhecimentos que gostaríamos de passar aos nossos colegas da MGF, mas de forma bidirecional. Também queremos perceber quais as suas maiores dificuldades e reservas quanto ao doente cardíaco intervencionado”, observa.
E acrescenta: “Faz parte da maturidade médica e científica trabalhar de forma a podermos ter este tipo de momentos. Estarmos juntos num ambiente agradável, conhecermo-nos, transmitir conhecimentos e trocar experiências.”
António Fiarresga refere que os médicos de família não têm, obviamente, de saber pormenores sobre as intervenções, mas devem ter noção das implicações de cada procedimento, pois, são o principal interlocutor entre o doente e os cuidados secundários.


