Cardiologista Fausto Pinto assume a presidência da Federação Mundial do Coração

Fausto Pinto assumiu, dia 1 de janeiro, a presidência da World Heart Federation (WHF), dando continuidade a um objetivo prioritário: "Desenvolver estratégias para minorar o impacto das doenças cardiovasculares."  Pela primeira vez na história da WHF, que tem mais de 40 anos, o presidente é um português.

Há 2 anos que se sabe que o diretor do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte -- e do próprio Departamento de Coração e Vasos em que aquele está inserido – seria o 22.º presidente da WHF, uma organização não-governamental com sede em Genebra, na Suíça, e constituída em 1978.


Fausto Pinto

Tal como muitas outras entidades, também a Federação Mundial do Coração tem a figura de presidente eleito, o que permite que o seu responsável máximo possa acompanhar mais de perto o dia-a-dia da instituição durante os 2 anos de mandato do seu antecessor.


Sensibilizar também os decisores políticos

Reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como o seu principal parceiro não-governamental na prevenção das doenças cardiovasculares, metade dos membros da Federação Mundial do Coração são sociedades científicas como a ESC, na Europa, ou a American Heart Association e o American College of Cardiology, nos EUA. Mas sociedades similares no Japão, na China, em África ou na América do Sul integram igualmente a WHF.

Fausto Pinto esclarece que a instituição a que agora vai presidir “tem como objetivos principais a promoção de estilos de vida saudáveis a nível global e apoiar a investigação e o desenvolvimento de estratégias para minorar o impacto das doenças cardiovasculares, que continuam a ser a causa número um de mortalidade e morbilidade”. E acrescenta que o faz “em estreita relação com a OMS e funcionando através dos seus próprios membros”.

Pretende-se dar uma atenção especial aos países de baixo rendimento, ou até mesmo de rendimento intermédio, “no sentido de a WHF poder ser uma plataforma para tornar mais visíveis os programas relacionados com a prevenção das doenças cardiovasculares nesses locais”.

Sensibilizar as populações, por um lado, mas também os decisores políticos, por outro, é uma missão que a Federação já vem levando a cabo. Fausto Pinto cita o exemplo do envolvimento do presidente do Uruguai na luta contra o tabagismo:

“Foi dos primeiros países a tomar medidas nessa matéria e já apresenta resultados concretos no que respeita à redução do número de enfartes do miocárdio ou dos casos de insuficiência cardíaca, por exemplo.”

"Uma espécie de Nações Unidas da área cardiovascular”


Na realidade, Fausto Pinto já conhecia razoavelmente bem o funcionamento da WHF porque, enquanto presidente da European Society of Cardiology, cargo que desempenhou entre 2014 e 2016, integrou a sua Direção, como representante da ESC, um dos membros estratégicos da Federação.



Incentivado a concorrer por um grupo de colegas, o processo decorreu de acordo com o definido nos estatutos daquela organização, isto é, um denominado Comité de Nomeações fez a avaliação e aprovou a candidatura. A sua e a de um cardiologista dos Emirados Árabes Unidos.


O resultado das eleições não deixou margem para dúvidas, conseguindo 80% dos votos. Sucedendo à sul-africana Karen Sliwa, Fausto Pinto iniciou o seu mandato no dia 1 de janeiro, assumindo um cargo que já foi ocupado por cardiologistas de diversas partes do mundo, os últimos dos quais foram: David Wood (Reino Unido), Salim Yusuf (Canadá), Srinath Reddy (Índia) e Sidney C. Smith Jr. (EUA).

Para além de ser o primeiro português a presidir à Federação Mundial do Coração, o especialista do CHULN é apenas o segundo ex-presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia a ocupar esse cargo, tendo o anterior sido o inglês Poole-Wilson.

Para Fausto Pinto, a Federação Mundial do Coração pode e deve ser encarada como “uma espécie de Nações Unidas da área cardiovascular”.



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