Cardiologistas e cirurgiões procuram consenso para tratamento de doenças valvulares

O timing da cirurgia valvular assintomática e a substituição ou reparação da válvula são algumas das temáticas que ainda não geram consenso entre cardiologistas e cirurgiões. Cristina Gavina, coordenadora do Grupo de Estudo de Doenças Valvulares da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), alertou para a necessidade de se obter respostas comuns para estes problemas de saúde, em declarações à margem de uma reunião conjunta de quatro grupos da SPC.

No evento, que teve lugar em Lisboa, debateram-se estas e outras temáticas que unem mais três grupos: Grupo de Estudo de Trombose e Plaquetas, Grupo de Estudo de Cuidados Intensivos Cardíacos e Grupo de Estudo de Cirurgia Cardíaca.

Cristina Gavina referiu que “os doentes com problemas valvulares são vistos por vários intervenientes e é preciso encontrar um consenso, por exemplo, no timing apropriado para operar quem apresente patologia valvular assintomática, mas também para outras questões que se prendem com a substituição ou reparação da válvula e o uso de terapêutica antitrombótica após intervenção valvular percutânea”.

Outro assunto bastante falado no evento foi o uso de anticoagulantes e antiagregadores. O coordenador do Grupo de Estudo da Trombose e Plaquetas, Carlos Aguiar, falou à Just News destas terapêuticas que têm evoluído nos últimos anos. “Existem, por exemplo, cada vez mais novos anticoagulantes que trazem mais-valias aos doentes e que devem ser discutidos por cirurgiões e cardiologistas, incluindo os mais novos. Estes podem dar um grande contributo.”

Embora ainda não haja um consenso quanto ao uso destas terapêuticas em determinadas situações clínicas, Carlos Aguiar acredita que o futuro dos problemas trombóticos e de plaquetas é “risonho”. E explica porquê: “Os novos anticoagulantes que já estão disponíveis só nos permitem ver o futuro com esperança, já que melhoram o resultado clínico e a qualidade de vida dos pacientes.”



Jorge Mimoso, coordenador do Grupo de Estudo de Cuidados Intensivos Cardíacos, realçou, por sua vez, a importância da multidisciplinaridade desta reunião. “Existem várias questões que geram alguma polémica e é fundamental reunir cardiologistas, cirurgiões e especialistas que trabalham nas unidades de cuidados intensivos cardíacos para que se partilhem ideias e experiências”, disse à Just News.

Relativamente ao grupo que coordena, acredita que tem tido uma evolução muito positiva, para a qual também tem contribuído este tipo de eventos. “Hoje em dia, existem provas de como foi importante desenvolver espaços de cuidados intensivos cardíacos, deixando-se de pensar que só deveriam existir as unidades de cuidados intensivos polivalentes”. E exemplificou: “Um doente com um diagnóstico de enfarte agudo do miocárdio (EAM), nestas unidades especializadas, tem à sua disposição profissionais que conseguem dar uma resposta imediata e concreta ao problema cardíaco, permitindo uma recuperação mais célere.”

Os elementos do Grupo de Estudo de Cirurgia Cardíaca, coordenado por Adelino Leite Moreira, não estiveram presentes nesta reunião, devido à sua deslocação a um encontro internacional, nos EUA.




Imprimir