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Cirurgia da parede abdominal: treino em cadáver na Áustria «especificamente para portugueses»

Tratou-se de uma "iniciativa inovadora e pertinente na atualidade da cirurgia da parede em Portugal", afirma Gabriel Oliveira, cirurgião e membro fundador da Sociedade Portuguesa de Hérnia e Parede Abdominal (SPHPA), a propósito do 1.º workshop internacional de treino em cadáver.

A formação decorreu nos dias 12 e 13 de setembro, em Viena, tendo sido concebida por membros da SPHPA, em associação com René Fortelny, um cirurgião austríaco dedicado à cirurgia da parede abdominal, que já foi presidente da Associação Austríaca de Hérnia, sendo um "membro ativo" da Sociedade Europeia da Hérnia.



Gabriel Oliveira faz questão de destacar o papel deste especialista na concretização da ação: "Foi, desde o início, um acérrimo apoiante da SPHPA, pelo que, quando soube da nossa intenção em realizar uma sessão de treino em cadáver, se voluntariou para ajudar. Tendo em conta a facilidade de organização logística do biotério, acabámos por concordar em realizar esta sessão em Viena."

Desta forma, e sublinhando que "a experiência do Prof. Fortelny e da sua equipa são incomparáveis", o facto de se poder realizar o treino sob a sua coordenação e tutela "era, para nós, uma mais-valia inalienável". Segundo Gabriel Oliveira, "foi particularmente importante em técnicas como o eTEP ou a separação posterior de componentes por via laparoscópica".


René Fortelny

Facilitar a "prestação de cuidados de excelência"


Esta iniciativa, realizada na Áustria e dedicada especificamente ao público português, vai ao encontro da intenção da SPHPA em "incluir a formação em cadáver no seu plano de formação, em associação com os módulos online e os cursos hands-on”.

Segundo o cirurgião, "estamos convictos de que esta combinação de ofertas formativas, pela sua diversidade, contribui para uma formação e atualização mais harmoniosa e progressiva".

E acrescenta: "Em último caso, o que queremos é proporcionar aos profissionais que lidam com esta patologia as melhores ferramentas para que possam melhorar os resultados junto do doente com hérnia, e estes tenham uma prestação de cuidados de excelência."



Duas equipas de formadores

O workshop teve 7 participantes, "o que permitiu a divisão em dois grupos e a utilização de 2 cadáveres por grupo", e contou com duas equipas de formadores: uma austríaca e uma nacional, que integrou Sónia Ribas (Hospital de Vila do Conde), António Ferreira (Hospital de Gaia), Gabriel Oliveira (Hospital dos Lusíadas) e Ricardo Souto (Hospital Garcia de Orta).

Sónia Ribas, presidente da SPHPA

Apoiar o cirurgião a "dar resposta à esmagadora maioria das situações que trata"

O programa do curso foi concebido para "incluir o portfolio de técnicas suficientes para que um cirurgião ´de parede abdominal` possa dar resposta à esmagadora maioria das situações que trata".

Gabriel Oliveira indica que a sua estrutura permitiu ainda, "tendo em conta o número e diferente grau de complexidade das técnicas, dividir os participantes entre técnicas mais básicas e mais avançadas, podendo dar resposta às necessidades diferentes de quem está a começar ou de quem quer desenvolver mais".



Um curso com uma "filosofia inédia"

O cirurgião do Hospital Lusíadas lembra que, em maio, "houve um Masterclass organizado pelo Dr. Fernando Ferreira (eminente especialista português na área da parede abdominal", que focou "situações limite de catástrofe da parede abdominal". Assim, considerando que não é uma iniciativa inteiramente inédita, está convicto que "a filosofia subjacente o é".

Ou seja, "a intenção de organizar um evento eminentemente prático, contemplando não apenas técnicas mais complexas, mas também algumas das consideradas mais básicas, que pretende garantir não só a qualidade da cirurgia em casos mais graves, como também nas situações mais frequentes, que nos surgem numa base diária."

 
Gabriel Oliveira

A importância de praticar em "modelos reais ou próximos de reais"

De acordo com Gabriel Oliveira, a formação em cirurgia, "em particular em cirurgia da Parede Abdominal, tem de passar cada vez mais por simulação e prática em modelos reais ou próximos de reais". Nesse sentido, "o cadáver fresco congelado é o melhor modelo, por ter exatamente a mesma anatomia e as estruturas manterem muitas das características similares ao organismo vivo".

A SPHPA defende, desde a sua criação, que a prática cirúrgica também nesta área se deve pautar por "uma mais ampla e constante formação, logo a inclusão de um workshop em cadáver é um passo incontornável nesse plano".



"A nossa Sociedade conta com pouco menos de 3 anos, mas tem-se esforçado por proporcionar oportunidades de formação e treino em cirurgia da parede abdominal", afirma Gabriel Oliveira. Como resultado, nos últimos anos, "mesmo com a pandemia, contamos com sete webinars, vários cursos práticos e uma reunião nacional".



Dirigida a profissionais de saúde e entregue em serviços dos hospitais do SNS, esta publicação da Just News tem como missão a partilha de boas práticas, de boas ideias e de projetos de excelência desenvolvidos no âmbito do SNS, visando facilitar a sua replicação.

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