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CHUC capacita médicos de família para serem também «cirurgiões de família»

De manhã cedo, os formandos da 2.ª edição do Curso de Pequena Cirurgia nos Cuidados de Saúde Primários começam a preparar-se para entrar no Bloco Operatório da Unidade de Cirurgia Ambulatória do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

O grupo integra sobretudo internos de formação específica de Medicina Geral e Familiar (MGF) e também alguns especialistas. Uma parte significativa dos 14 formandos é da região de Coimbra, mas desta vez até participaram médicos de Vila Real e de Setúbal.



"Cirurgião de família”

A ideia é poderem adquirir ou consolidar conhecimentos e práticas que lhes permitam realizar atos de pequena cirurgia nas suas unidades, algumas das quais já possuem, inclusive, essa valência.

Na bata ostentam a identificação: “Cirurgião de família”. Trata-se de um conceito que surgiu quando a equipa de formadores do Serviço de Cirurgia A do CHUC preparava esta 2.ª edição do curso.


Manuel Rosete

Situações que "podem ser resolvidas nos cuidados de saúde primários"

“O nosso objetivo é capacitá-los para estarem preparados para dar resposta a situações menos complexas que podem, perfeitamente, ser resolvidas nos CSP”, esclarece Manuel Rosete, cirurgião geral e membro da Comissão Organizadora do Curso.

Tendo estado também envolvido no lançamento deste Curso, em 2018, quando ainda era médico interno, Manuel Rosete vê neste tipo de ações a possibilidade de otimizar a resposta à população:

“Os doentes não têm que esperar tanto tempo por uma intervenção que, em vez de os obrigar a deslocarem-se ao hospital, afinal, até se pode realizar numa unidade de CSP, próximo da sua residência.”



“sem formação, nada pode avançar"

O cirurgião reconhece, contudo, que a falta de condições pode ser um entrave à promoção da pequena cirurgia nas unidades de CSP. Daí considerar ser “importante apetrechar as USF e as UCSP com o material necessário para que esse tipo de cirurgias se possa fazer.”

Em todo o caso, defende ser importante que este género de ações aconteça, até porque, “sem formação, nada pode avançar. Por isso, mesmo com a escassez de meios que existe, é essencial dar esta oportunidade aos colegas de MGF”.



O Curso de Pequena Cirurgia estende-se por dois dias, sendo que no primeiro decorre a componente teórica desta ação de formação, que tem lugar no Centro de Simulação Biomédica do CHUC.

A segunda parte tem lugar no Hospital Geral (Covões), unidade que integra o CHUC e onde se localiza a Unidade de Cirurgia Ambulatória do CHUC. Pelo menos foi este o desenho das duas edições já realizadas.

“Os formandos rodam várias vezes pelas duas salas onde decorrem as cirurgias e têm oportunidade de contactar com diferentes tipos de lesões, acompanhando os formadores na realização de pequenas cirurgias”, explica Francisco Maio Matos, que coordena a Unidade  de Cirurgia Ambulatória e também o Centro de Simulação Biomédica.


Francisco Maio Matos 

O cirurgião sublinha ser necessário dotar os CSP de "competências básicas relacionadas com procedimentos que não têm necessariamente de ser efetuados numa unidade hospitalar". E aponta três grandes vantagens:

“Proporcionar cuidados de qualidade numa estrutura de proximidade; reduzir o afluxo de doentes que não têm um grau de diferenciação que justifique a ida ao hospital; reforçar a ligação dos CSP às unidades hospitalares.”


Formandos e formadores do II Curso de Pequena Cirurgia nos CSP

Cuidados cirúrgicos de proximidade 

João Pestana é IFE de MGF (2.º ano) na USF Topázio, em Coimbra, e foi o elo de ligação entre o CHUC e os cuidado de saúde primários, tendo ajudado o responsável do curso, Manuel Rosete, nos contactos com os colegas.

Na sua unidade há um espaço apropriado para a pequena cirurgia e foram mesmo realizados alguns procedimentos há já uns anos. Contudo, com o passar do tempo, essa atividade acabou por ficar parada.

Face a este histórico e ao seu interesse por esta área, naturalmente participou no Curso, até porque, conforme explica, “a pequena cirurgia é uma área com que contactamos muito frequentemente, seja por feridas que necessitem de ser suturadas, quer por outro tipo de lesões que acabam por ser referenciadas para a Consulta Externa.”



João Pestana

No final do curso, a apreciação que faz é muito clara: “Esta formação é uma mais-valia para o resto do meu internato e para o meu futuro como especialista”.

Na verdade, as vantagens são extensíveis às unidades onde se encontram os participantes e mesmo aquelas por onde os médicos de família passarão ao longo das suas carreiras, já que fica facilitada a opção de serem prestados cuidados nesta área.

“É uma aposta em cuidados cirúrgicos de proximidade, porque há situações que não necessitam obrigatoriamente de ser encaminhados para o hospital", relembra João Pestana.



A reportagem completa pode ser lida no Jornal Médico do cuidados de saúde primários 99.

Dirigida a profissionais de saúde e distribuída em todas as USF e outras unidades dos cuidados primários do país, esta publicação da Just News tem como missão a partilha de boas práticas, de boas ideias e de projetos de excelência desenvolvidos no âmbito do SNS, facilitando a sua replicação.

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