Consulta de Diagnóstico Rápido da ULSLA facilita a vida ao doente e afasta-o da Urgência e do Internamento



O projeto da Consulta de Diagnóstico Rápido da ULS do Litoral Alentejano conquistou o Prémio de Boas Práticas em Medicina Interna 2026. Integrada na Unidade de Medicina de Ambulatório, a CDR pertence ao Serviço de Medicina do único hospital desta ULS.

 
Intervir de forma célere perante uma situação de doença não esclarecida, procurar fazer o diagnóstico sem o recurso ao Serviço de Urgência ou ao Internamento -- possivelmente, com uma única deslocação do doente ao hospital - e o seu posterior encaminhamento para a consulta ou instituição adequada valeu ao projeto da Consulta de Diagnóstico Rápido da ULSLA a conquista do Prémio de Boas Práticas em Medicina Interna 2026. A CDR está integrada na Unidade de Medicina de Ambulatório, que pertence ao Serviço de Medicina daquele que é o único hospital desta unidade local de saúde.


Lucas Diaz Ruiz e Teresa Bernardo


Basta pensar na extensa área geográfica servida pelo Hospital do Litoral Alentejano, localizado em Santiago do Cacém, a uma centena de quilómetros (ou mais!) de alguns dos seus utentes, para se concluir que um projeto com as características da Consulta de Diagnóstico Rápido (CDR) mereceria sempre ser aplaudido. Não só pelos doentes que a ela são referenciados como também pela Administração e os profissionais em geral da própria ULSLA, que, consequentemente, acabam por ver a Urgência e o Internamento da sua unidade hospitalar um pouco menos sobrecarregados.

“Esta Consulta destina-se a doentes que requerem acesso facilitado para estudo de doença não esclarecida, sendo priorizada a suspeita de neoplasia. Pretende-se uma abordagem célere em ambulatório, com a realização de vários exames num único dia, com maior conforto para a pessoa e, inclusive, contribuindo para a redução da pegada ecológica”, resume Lucas Diaz Ruiz, um dos dois internistas que asseguram o funcionamento da CDR e a quem coube a tarefa de apresentar as particularidades da mesma no último Congresso Nacional de Medicina Interna, em maio.

“O que se pretende é, de forma rápida e diminuindo o recurso à Urgência e/ou ao internamento do doente para realização de exames complementares passíveis de serem feitos em ambulatório, estabelecer um diagnóstico ou, pelo menos, uma hipótese diagnóstica consistente. E, posteriormente, orientá-lo para consulta na nossa ULS ou proceder ao encaminhamento para outro hospital, para receber o tratamento devido”, explica o médico.

Está estabelecido que o agendamento da 1.ª consulta, que será presencial, aconteça entre 7 a 10 dias após a referenciação para a CDR e que entre aquela e o momento da alta não passem mais de 21 dias, fazendo-se uso da teleconsulta sempre que possível, evitando-se assim futuras deslocações do doente ao hospital.

Um objetivo importante, sublinha Lucas Diaz Ruiz, “é a realização do maior número possível de exames complementares de diagnóstico no dia da consulta, de acordo com os protocolos estabelecidos com as diferentes áreas: Imagiologia, Patologia Clínica, Pneumologia, Gastrenterologia, Cirurgia Geral e Anatomia Patológica”.

E chama a atenção para um aspeto importante: “A criação da CDR não exigiu mais recursos humanos, conduziu antes a uma alteração funcional e organizacional dos mesmos, o que permite a sua replicabilidade noutros contextos. Para isso, deve ser assegurada a metodologia de implementação e o acesso facilitado, garantindo a colaboração dos profissionais das diferentes áreas envolvidas, com a atuação centrada no doente e na sua satisfação.”

O funcionamento da CDR é assegurado pela própria equipa da Unidade de Medicina de Ambulatório, que é constituída, para além dos dois especialistas de Medicina Interna, por três enfermeiras, duas técnicas auxiliares de saúde e uma assistente técnica administrativa.



Lucas Diaz Ruiz

“Um exemplo inovador e de boas práticas”

 


Lucas Diaz Ruiz esclarece que o facto de a Consulta de Diagnóstico Rápido ser uma valência da Unidade de Medicina de Ambulatório permite, sempre que necessário, e sem exigir a mobilização de mais profissionais, a utilização das suas diferentes áreas, como o Hospital de Dia Polivalente ou a Sala de Procedimentos, esta última partilhada com o HD de Oncologia, situado próximo, também no 2.º piso.

Isto com vista à realização de alguns exames para diagnóstico, alívio sintomático da pessoa, tratamento/correção de algumas situações, bem como otimização das condições para a realização de outros exames que forem necessários, como os que implicam o uso de técnicas endoscópicas.

“A equipa realiza uma avaliação conjunta, com partilha esclarecida da informação com o doente e a sua família. Com uma articulação exigente entre os diferentes profissionais envolvidos, pretende-se uma efetividade e proatividade da resposta, com maior conforto para o utente e para quem o acompanha, e com a redução de custos associados a deslocações”, afirma.

O internista está seguro de que a CDR “representa um exemplo inovador e de boas práticas”. Entre outros aspetos, “é centrada no doente e desenvolvida numa perspetiva integradora com os vários níveis de cuidados”. Para além de que “a revisão trimestral de resultados, para permitir implementar medidas corretoras, garante a qualidade do projeto”.

A concluir, Lucas Diaz Ruiz destaca a circunstância de a maioria dos diagnósticos ser feita sem o recurso a internamento, que é apenas necessário em situações pontuais, como a não realização de certos exames no Hospital do Litoral Alentejano, quando ocorre instabilidade clínica do doente ou surgindo a necessidade de monitorização após determinados exames/procedimentos.

E frisa: “A resposta diagnóstica célere e o consequente encaminhamento para as especialidades é uma mais-valia no tratamento precoce dos doentes, com impacto na sua qualidade de vida.”

O médico faz ainda questão de sublinhar “o profissionalismo e dedicação de todos os elementos da equipa”.

 

Teresa Bernardo: “Pretendemos com a Unidade de Medicina de Ambulatório manter estáveis os doentes crónicos”

 


No período inicial da pandemia, houve necessidade de  reorganizar a adaptar diferentes áreas e serviços do Hospital do Litoral Alentejano,  passando a Unidade de Convalescença da Rede Nacional de Cuidados Continuados, que funcionava no 2.º piso do edifício, a ser dedicada a internamento de pacientes não covid.

“Com o abrandamento da pandemia, esta Unidade foi encerrada. É então  que, com grande envolvimento e visão da Dr.ª Adelaide Belo, contando com o apoio do diretor do Serviço de Medicina, Dr. Henrique Rita,  e perante um número excessivo de camas de internamento de Medicina (nesta fase, cerca de 70) para um  hospital com a dimensão do HLA -e com a  pressão do Serviço  de Urgência a manter-se -, que surgiu o  projeto da Unidade de Medicina de Ambulatório. Esta assegurando o funcionamento do Hospital de Dia Polivalente e de duas consultas diferenciadas, a Consulta de Reavaliação Pós-Alta (CRPA) e a Consulta de Diagnóstico Rápido (CDR)”, recorda Teresa Bernardo, acrescentando:

“O que pretendíamos era mostrar que a aposta no ambulatório e a proximidade com os utentes, os lares e os colegas dos cuidados de saúde primários, bem como a possibilidade de nos contactarem com muita facilidade… tudo isso contribuiria sobretudo para manter estáveis o mais tempo possível os doentes crónicos. Obviamente, recorrendo ao Hospital de Dia de uma forma programada.”

 
Teresa Bernardo

Triagem é feita em conjunto pelos dois internistas


Com os doentes a serem referenciados para a CDR pelo Serviço de Urgência, por outras consultas do hospital ou pelos seus médicos de família, Teresa Bernardo e Lucas Diaz Ruiz procuram fazer a triagem em conjunto, analisando e priorizando aquilo que lhes parece ser mais urgente e, sempre que possível, sem recorrer ao internamento.

“Até agora, temos conseguido o nosso objetivo, com uma excelente resposta das outras áreas do hospital de que precisamos, como a Imagiologia, com quem temos estabelecido um protocolo que permite fazer uma TAC de estadiamento no próprio dia da consulta em 98% dos casos. Nós só temos que verificar, no Hospital de Dia, como está a função renal do doente”, explica a médica, prosseguindo:

“Por exemplo, temos imensos doentes com anemia e o que está muitas vezes subjacente a essa situação é uma neoplasia no tubo digestivo. Socorremo-nos da possibilidade de o doente ser avaliado no Hospital de Dia e fazer ali o suporte de que precisa para efetuar determinados exames, nomeadamente uma endoscopia ou uma colonoscopia.”

Teresa Bernardo sublinha terem “uma preocupação muito grande” em não rejeitar casos visivelmente menos graves: “Felizmente, nem todos envolvem suspeita de doença oncológica, havendo pedidos de diagnóstico em que os sintomas podem ser uma síncope, uma lipotímia ou uma lombalgia… Tentamos não recusar um doente porque há muita gente que ainda está desprotegida nesta área geográfica em termos de acompanhamento médico, daí que preferimos vê-lo e depois orientá-lo.”

Estava previsto a Consulta de Diagnóstico Rápido acontecer uma vez por semana, das 9h30 às 15h30, contemplando a realização de 8 primeiras consultas e 4 subsequentes, mas o aumento das referenciações obrigou a que, desde março de 2026, tenha agora lugar em dois dias da semana.

Entretanto, tal como Lucas Diaz Ruiz não está 100% do tempo dedicado à UMA, uma vez que cumpre todas as segundas-feiras 12 horas no Serviço de Urgência, também Teresa Bernardo mantém, desde 2019, a sua Consulta de Insuficiência Cardíaca, embora a realize no piso 2, para poder acompanhar de perto a atividade do Hospital de Dia.

Relativamente ao Prémio de Boas Práticas em Medicina Interna, falta acrescentar que, enquanto a apresentação da Consulta de Diagnóstico Rápido no 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna ficou a cargo de Lucas Diaz Ruiz, a internista representou outra candidatura: a dos percursos assistenciais integrados, um dedicado à pessoa com insuficiência cardíaca e outro ao doente complexo com multimorbilidade, ambos implementados pela ULSLA.

 
O funcionamento da CDR é assegurado pela equipa da Unidade de Medicina de Ambulatório, que é constituída por: 

2 internistas: Teresa Bernardo e Lucas Diaz Ruiz

3 enfermeiras: Tatiana Varela, Liliana Marques Rodrigues e Anabela Encarnação Soares

2 técnicas auxiliares de saúde: Dina Marisa Agostinho e Vanda Martins

2 assistentes técnicas administrativas:  Mónica Calado e Susana Caixas


Vanda Martins, Catarina Arizmendi Filipe (presid. CA ULSLA), Anabela Encarnação Soares, Lucas Diaz Ruiz, Teresa Bernardo, Susana Caixas, José Sousa e Costa (dir. clínico ULSLA), Liliana Marques Rodrigues e Dina Marisa Agostinho


A reportagem completa pode ser lida na edição de setembro 2026 do Jornal Médico.

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