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Consultadoria de psiquiatras do CH Setúbal na USF du Bocage melhora a referenciação

Mensalmente, a USF du Bocage recebe nas suas instalações profissionais do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar de Setúbal para a realização de sessões de formação e de consultadoria, o que lhe tem permitido diminuir o número de referenciações e, por sua vez, o tempo de resposta para a consulta hospitalar.

Esta é uma das sete unidades do ACES Arrábida que beneficiam deste projeto de ligação ao Serviço de Psiquiatria do CHS, que foi iniciado em 2010, em Sesimbra.

"Sinergias com o meio hospitalar e o poder local"

Para Augusto Figueiredo Fernandes, coordenador da USF du Bocage, não há dúvida de que “o bom funcionamento da Unidade existe devido às sinergias que temos conseguido desenvolver com o meio hospitalar e o poder local”.


Augusto Figueiredo Fernandes

Desde setembro de 2020, aquando da inauguração da USF, que o Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) se desloca periodicamente a esta Unidade, trabalho que já desenvolvia, desde 2018, com a UCSP São Sebastião, instalada no rés-do-chão do mesmo edifício da USF, de onde proveio grande parte dos profissionais, acabando por haver uma natural continuidade do projeto.

O objetivo do projeto é simples: “Suportar o trabalho dos médicos de família na área da Saúde Mental e diminuir o número de referenciações para o meio hospitalar.”

Proximidade com Câmara e Junta

Além deste projeto, a USF du Bocage mantém um contacto muito próximo com a Câmara Municipal de Setúbal e com a Junta de Freguesia (JF) de São Sebastião.



Orgulhoso, o coordenador da Unidade chama a atenção da Just News para um quadro oferecido pela autarquia no primeiro aniversário da USF, onde se vê uma fotografia antiga de Bocage, e para um prémio da JF, reconhecendo o “trabalho feito em proximidade”, ambos expostos no espaço de admissão dos utentes.

Entre a carteira básica de consultas que a Unidade oferece estão as vertentes de Saúde Infantil, Saúde Materna, Planeamento Familiar e Diabetes. Adicionalmente, realizam-se ainda rastreios de cancro da mama e do útero, administram-se injetáveis, gerem-se processos de vacinação e ainda se fazem visitas domiciliárias.



Para o sucesso do trabalho, sobretudo na deslocação aos domicílios, “os dados enviados pela JF de São Sebastião são fundamentais no caso de utentes que não possuem telemóvel ou e-mail”.

Como explica, “a JF tem um papel fundamental na entrega e no recebimento de documentos, porque consegue dirigir-se mais facilmente às casas dos utentes”, acrescentando ainda que, no âmbito da vacinação, “facilmente organiza listas identificando a população mais idosa que tem mobilidade reduzida e que carece da deslocação da equipa de enfermagem ao domicílio”.

Augusto Figueiredo Fernandes recorda-se bem do “trabalho excecional de todos, em fevereiro de 2021, que permitiu vacinar na Unidade, em três dias, 208 utentes”. Fez-se também uma escala em que médico e enfermeiro, através de viatura própria, se deslocaram a casa das pessoas que não tinham mobilidade para se dirigir à USF.

Segundo Manuel Salgado, um dos médicos de família da USF, “há uma grande resistência das pessoas em gerar parcerias e essa é uma realidade que se deve querer mudar, pois, temos que tratar os utentes como gostaríamos nós próprios de ser tratados”.



"Recebemos ferramentas que complementam o nosso trabalho"

O projeto de consultadoria em Psiquiatria do Centro Hospitalar de Setúbal ativo na USF du Bocage, “por vontade comum”, foi um passo dado nesse sentido e que “enriquece as duas instituições”.

Através desta iniciativa, que acontece mensalmente, o trabalho dos médicos de família e dos psiquiatras articula-se. “Com esta parceria, damos aos cuidados hospitalares, neste caso à Psiquiatria, o contexto do doente, e recebemos ferramentas que complementam o nosso trabalho, até para sabermos agir no futuro”, esclarece Manuel Salgado.

Assente em dois momentos de articulação diferentes, um deles cinge-se à consultadoria propriamente dita, que consiste na discussão de casos, e outro à formação, que se realiza nos moldes de apresentações de temas, cursos ou webinars.


Manuel Salgado


No âmbito da consultadoria, “em conjunto, identificamos se há necessidade de referenciar os utentes para o Serviço de Psiquiatria ou se o seguimento pode ser feito aqui”, explica o médico, ressalvando que, nesta última situação, o caso do utente pode continuar a ser discutido, inclusivamente fora do espaço destas sessões programadas, de forma a fazer-se o ajuste terapêutico”.

“Tanto as reuniões de discussão de casos como os momentos de formação têm sido mais-valias para nós e os nossos doentes também se sentem confortáveis com o processo”, garante.

Também João Nogueira, um dos psiquiatras que participam no projeto, geralmente em conjunto com um interno da especialidade, considera que esta articulação “vem evitar que o utente se desloque para longe do médico de família, que é quem conhece melhor o seu contexto, além de permitir melhorar a triagem dos doentes no Serviço de Psiquiatria, diminuindo especialmente o número de primeiras consultas”.


Elementos da Unidade Funcional Comunitária do Serviço Serviço de Psiquiatria do CHS: Carla Custódio (enf.ª), Luís Paulino, João Nogueira e Vanessa Vila Nova (médicos)

Para si, “esta redução é evidente nos casos das unidades com que existe esta articulação”, notando que, “primordialmente, o hospital deve ser uma segunda linha de recurso, privilegiada quando os CSP não conseguem dar resposta”.

De acordo com o psiquiatra, “muitas vezes, são já os especialistas de MGF a iniciar um tratamento, que depois validam nas reuniões, um momento em que têm um aconselhamento especializado”.

O projeto esteve sempre ativo, tendo as reuniões decorrido virtualmente, quando não havia a possibilidade de serem presenciais. Além disso, o próprio Serviço de Psiquiatria do CHS criou uma linha telefónica a fim de possibilitar um contacto mais direto tanto com esta USF como com as outras seis unidades onde o projeto atua.

Psiquiatria: promover uma "vertente comunitária mais forte"

O Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do CHS concorreu, em 2017, ao Programa de Incentivo à Integração de Cuidados e à Valorização dos Percursos dos Utentes no SNS, destinado a fomentar a articulação entre prestadores de cuidados de saúde. Acabou por ser um dos vencedores, com o projeto de uma Equipa Comunitária Assertiva, contudo, não recebeu fundos da ACSS – Administração Central do Sistema de Saúde, porque os mesmos foram cativados pelo Ministério das Finanças.



Ainda assim, o CHS investiu no projeto – tendo adquirido, inclusivamente, uma viatura –, levando à criação, em dezembro de 2018, da Unidade Funcional Comunitária (UFC). A sua coordenação ficou a cargo da psiquiatra Vanessa Vila Nova, que aceitou o convite que lhe foi feito pelo diretor do Serviço de Psiquiatria, António Gamito.


“A ideia era mesmo criar uma vertente comunitária mais forte, com duas componentes: alargar a consultadoria nos centros de saúde – dado existir já em duas unidades dos CSP (USF Castelo desde 2010 e USF Conde Saúde desde 2016, tendo sido expandida a mais três USF e duas UCSP, em 2018) − e criar uma equipa de tratamento comunitário assertivo, destinada a ir aos domicílios”, explica a psiquiatra.

Desde que concluiu a especialidade de Psiquiatria, no Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, que Vanessa Vila Nova, 36 anos, se tem dedicado à Psiquiatria Comunitária, tendo, inclusive, coordenado o grupo do Montijo.

A psiquiatra reconhece que o exercício de consultadoria é “um dos projetos que mais entusiasmo traz, porque permite o contacto com uma realidade extra-hospitalar e os benefícios são muito fáceis de identificar”, completando:

“No hospital, consegue fazer-se uma triagem mais fina e as consultas são agendadas de forma mais célere, dado que os doentes encaminhados por esta via têm consulta dentro de um mês. Já os CSP conseguem esclarecer as suas dúvidas e oferecer algo ao doente com maior segurança, sobretudo àquele que tem patologia menos grave, mas precisa de orientação terapêutica”.

Psiquiatras do CH de Setúbal dirigem-se periodicamente a sete unidades do ACES Arrábida – entre as quais a USF que tem o nome do célebre poeta de Setúbal – para realizar sessões de formação e de consultadoria, com enormes vantagens para os utentes


Para além de Vanessa Vila Nova, a UFC do Serviço de Psiquiatria do CHS conta com o contributo do psiquiatra João Nogueira e de duas enfermeiras cedidas pelo ACES a meio tempo, para além do envolvimento de internos a fazer estágio de Psiquiatria Comunitária.

Segundo a coordenadora, o seu diretor, António Gamito, “sempre teve o objetivo de criar uma vocação comunitária mais sólida”. Neste momento, faltam recursos humanos para aumentar a equipa, no entanto, no futuro, o interesse será também potenciar esta articulação entre o CHS e os CSP, até porque “há mais USF interessadas neste tipo de projeto enriquecedor para ambas as partes”.

 

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