Mais de 100 consultas de Enfermagem no CHUC: Documentação evidencia as suas vantagens

Com mais de uma centena de consultas de enfermagem ativas no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), e a fim de se conseguir um maior acompanhamento eletrónico futuro a nível de diagnóstico e de intervenção, a documentação da atividade da enfermagem era uma necessidade.


Dar visibilidade aos "cuidados em contexto de ambulatório"

Elisa Melo, assessora da Direção de Enfermagem do CHUC na área dos Sistemas de Informação e Documentação em Enfermagem, foi, em 2012, a enfermeira selecionada para formar uma equipa que impulsionasse o desenvolvimento de sistemas de informação eletrónicos. Desde então, tem sido a coordenadora do Grupo de Assessoria aos Sistemas de Informação em Enfermagem (GASIE).


Segundo a responsável, as duas dezenas de profissionais envolvidos no processo desenvolveram já “um percurso progressivo e significativo” nesta matéria.

“Era preciso dar visibilidade a uma atividade significativa dos enfermeiros a nível da continuidade de cuidados em contexto de ambulatório, num cenário em que a evolução da doença crónica e o aumento da esperança média de vida exigem a garantia da qualidade de vida”, refere.


Áurea Andrade, enfermeira diretora do CHUC (ao centro), com João Filipe, assessor da Direção de Enfermagem, e Elisa Melo


Por outro lado, “as famílias nucleares que caracterizam a sociedade atual também não são propiciadoras de partilhas de experiências indutoras de aprendizagem durante a gravidez”, justificando, na ótica de Elisa Melo, “uma assistência que faz a diferença a nível da capacitação para a parentalidade”.


As necessidades em cuidados no âmbito da Saúde Mental exigem, por sua vez, “uma resposta estruturada no ambulatório, que se desenvolve não só a nível hospitalar como também comunitário, em equipas organizadas para o efeito”.



Consultas de Enfermagem: "valorizar também a sua produção"

O dia 20 de julho de 2020 marcou a data em que os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde disponibilizaram ao CHUC um módulo de consultas de Enfermagem que "passou a valorizar também a sua produção".

Considerando não só as consultas conexas como também as independentes, "com resposta específica em cuidados proporcionados nesse dia unicamente por enfermeiros, este módulo reúne mais de uma centena de consultas diferentes". Este terá sido o primeiro centro hospitalar do país a concretizar a sua implementação.


Elementos da Direção de Enfermagem do CHUC com enfermeiras dedicadas a algumas das consultas

Um incentivo à "criação de novas consultas"

Elisa Melo explica que, até então, "a atividade da Enfermagem não tinha um espaço dedicado no sistema de informação eletrónico que permitisse medir a produção e os resultados da consulta”. Desta forma, “fica agora claramente documentada a atividade realizada e planeada a continuidade do processo de cuidados”.

A título de exemplo, destaca o benefício na atividade dos enfermeiros de reabilitação desta "mensuração na identificação do potencial de reconstrução da autonomia do doente".

E é com evidente satisfação que adianta uma outra novidade: "A aposta na documentação potenciou a motivação para a criação de novas consultas, propostas até pelos serviços de internamento".


Elisa Melo

Ter em conta a "evolução da condição do próprio doente"

À data desta reportagem, Elisa Melo adiantava que estaria para breve a "mensuração do resultado das intervenções de Enfermagem através da evolução da condição do próprio doente" e não apenas da produção dos meios complementares de diagnóstico e de terapêutica.

“Assim, estaremos em condições de identificar se o processo de amamentação de uma grávida corre bem ou se a ansiedade de um doente é minimizada pela intervenção adequada dos enfermeiros”, clarifica.

Estas conclusões são retiradas com base numa lista de enunciados de indicadores de Enfermagem, que se debruçarão “sobre a evolução da condição de saúde do doente, onde estes profissionais efetivamente se centram”.



De acordo com Elisa Melo, este processo de mudança inicial exigiu a realização de "uma formação dirigida a todos os enfermeiros que desempenham as consultas visadas, tendo sido assegurado o acompanhamento posterior em algumas áreas".

Está ainda a ser desenvolvido um projeto de formação “no sentido de potenciar um conjunto de competências que respeitem, nomeadamente, a processos de continuidade de assistência à pessoa que vive com doença crónica”, indica a enfermeira, esclarecendo que estas e outras estratégias são desenvolvidas "de acordo com as auditorias bimestrais que vão sendo realizadas à documentação".

"A tomada de decisão clínica em Enfermagem teve um ganho”

Áurea Andrade não tem dúvidas de que “a organização das consultas de Enfermagem contribuiu para uma explicitação da tomada de decisão clínica, clarificadora da condição clínica das pessoas que assistimos e da sua evolução”. Simultaneamente, nota que este processo tem outros desenvolvimentos associados, nos quais se integram “a produção de indicadores sensíveis a cuidados de Enfermagem, também úteis no âmbito da governação clínica”.


Áurea Andrade

A enfermeira diretora do CHUC considera que a documentação das consultas num módulo informático específico veio “facilitar a mensuração da produção, com todos os ganhos associados, e possibilitar a organização de toda a área assistencial a nível do ambulatório no que à Enfermagem diz respeito”.

Considera também que a "tomada de decisão clínica em Enfermagem teve um ganho, quer pelas estruturas de dados parametrizadas, quer pela continuidade de cuidados que as mesmas possibilitam”.

Sendo o processo de implementação e desenvolvimento dos sistemas de informação assumido pelo Grupo de Assessoria aos Sistemas de Informação em Enfermagem (GASIE), parte das suas funções passam por “garantir o envolvimento de todos os enfermeiros neste processo de formação”.

Como avança, “os padrões de documentação foram construídos e decididos pelos enfermeiros que assistem os doentes nas consultas, pois, só eles conhecem as suas reais necessidades”.




A reportagem completa, com entrevistas a diversos profissionais, pode ser lida no Hospital Público de janeiro/fevereiro 2022, onde são partilhadas as mais-valias de algumas das consultas de Enfermagem:
- Adaptação à Doença Crónica (Matilde Correia)
- Obstetrícia (Ana Isabel Ferreira Gomes)
- Pediatria de Risco Psicossocial (Graça Santana)
- Psiquiatria (Lisa Nunes)
- Médico-Cirúrgica inscrita no programa ERAS® (Ana Rita Loureiro)
- Fraturas de Fragilidade (Andréa Marques)

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