Contributo da Cardiologia de Intervenção para a Cardiologia nacional tem sido «fundamental»

Segundo Miguel Mendes, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), “a Cardiologia de Intervenção tem dado um contributo fundamental para a Cardiologia nacional”. O responsável falava na cerimónia de abertura da 6.ª Reunião Anual da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), que decorre de 26 a 29 de novembro, na Figueira da Foz.

Esta realidade deve-se, de acordo com o presidente da SPC, não só à rede de laboratórios em prevenção permanente e disponíveis para a angioplastia primária, mas também à organização da Cardiologia de Intervenção, ao facto de ter conseguido ser reconhecida como uma subespecialidade e de trabalhar com um nível de exigência maior do que a maioria da Cardiologia.

“A APIC e a Cardiologia de Intervenção têm sido muito dinâmicas dentro da Cardiologia, nomeadamente com os registos nacionais, as iniciativas Stent for Life, a concretização da subespecialidade de Cardiologia de Intervenção, o desenvolvimento de um projeto de proposta de associação entre a APIC e a reabilitação cardíaca, bem como a realização de múltiplos ensaios multicêntricos nacionais e nacionais com extensão internacional promovidos pela APIC”, mencionou Miguel Mendes.



Referiu tambem que, hoje em dia, está organizada e constituída uma rede de prestação de cuidados de angioplastia primária que cobre praticamente o país inteiro. E adiantou que os resultados de mortalidade cardiovascular em Portugal têm vindo a ter uma evolução “muito positiva”. “No final da década de 80, a patologia portuguesa era responsável por 44% da mortalidade, e hoje em dia é responsável por 30%”, indicou.

Na sua opinião, o nosso país está no pódio do tratamento da cardiopatia isquémica, um dos poucos indicadores de saúde em que tem uma “posição excelente a nível europeu”. “É o país da Europa com menor taxa da mortalidade em termos da cardiopatia isquémica, perdendo apenas para a França”, frisou.

Por outro lado, tem havido um melhor acesso a coronariografias, registando-se um aumento de 22% de 2009 para 2013, coincidindo com anos de crise económica. “É uma melhoria da resposta com uma queda muito significativa do tempo de espera até à realização da coronariografia”. Quanto ao tratamento do enfarte agudo do miocárdio, referiu que tem registado uma queda da mortalidade importante (cerca de 1,5%), “mais ou menos consistente no país inteiro”.

Os resultados não têm sido tão bons na mortalidade por AVC, sendo que este problema é responsável por dois terços das mortes, o que coloca Portugal junto dos países de leste, que têm os piores indicadores em saúde cardiovascular e na mortalidade por AVC. No entanto, Miguel Mendes está seguro de que a Cardiologia de Intervenção portuguesa estará disponível para dar uma ajuda nesta área, uma vez que foram lançadas novas guidelines em que a intervenção vascular na circulação cerebral está consignada.



Rui Campante Teles, presidente da APIC, foi outro dos intervenientes da cerimónia de abertura. Aquele responsável falou sobre o importante trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela APIC, nomeadamente em três vertentes fundamentais: sociedade civil, doentes e profissionais de saúde. 



Na sessão intervieram ainda Eduardo Infante de Oliveira, presidente da Comissão Científica da 6.ª Reunião Anual da APIC, que falou sobre o programa da reunião, e Michael Haude, presidente eleito da Associação Europeia de Intervenção Cardiovascular Percutânea (EAPCI), que apresentou o organismo que representa.

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