Cuidados de saúde primários têm «fraca capacidade diagnóstica» para a DPOC

Existe uma “fraca capacidade diagnóstica” para a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) a nível dos cuidados de saúde primários. Esta é uma das conclusões do relatório “Portugal – Doenças Respiratórias em Números 2014”, da Direção-Geral da Saúde. Contudo, têm sido dados passos importantes com a Rede de Espirometrias em DPOC, referiu à Just News Cristina Bárbara, diretora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias.

A responsável realça que, de acordo com o relatório referente a 2009-2012, a análise da percentagem de inscritos com diagnóstico de DPOC baseado em espirometria tem crescido no Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo.

O crescimento “é discreto, mas é revelador da importância da Rede de Espirometrias em DPOC, que envolve dois projetos-piloto, um no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e o outro no Centro Hospitalar Lisboa Norte”. No futuro, espera que se venha também a apostar na contratação de técnicos de cardiopneumologia, com maior conhecimento para a realização do exame.

Um outro dado preocupante do relatório está relacionado com a mortalidade associada às pneumonias. Portugal tem cerca do dobro de mortes em comparação com outros países da União Europeia, logo a seguir ao Reino Unido.

O lado positivo é não se tratar de mortes em pessoas muito jovens, mas acima dos 65 anos, existindo assim “ganhos em saúde evidenciados por uma diminuição dos anos potenciais de vida perdidos e respetiva taxa por 100 mil habitantes", explicou Cristina Bárbara.

No relatório, pode constatar-se ainda que "a ocorrência de doença respiratória está relacionada com as condições atmosféricas e com a virulência do vírus da gripe”.

Face aos dados divulgados, são lançadas algumas recomendações, como aumentar o plano vacinal contra a gripe após os 65 anos e em grupos de risco, controlar o tabagismo e comparticipar a aquisição das câmaras expansoras, reduzindo a comparticipação da aerossoloterapia por sistemas de nebulização a situações clinicamente identificadas.

Paula Pinto, secretária adjunta da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, foi responsável pelo comentário do relatório e realçou os dados positivos de que “não se está a perder anos potenciais de vida nos últimos anos”. Apesar de estar preocupada com a posição de Portugal no ranking da mortalidade por pneumonia, salienta o papel importante do plano de vacinação da gripe do Governo.

Fernando Leal da Costa, secretário de Estado da Saúde, também esteve presente na apresentação dos dados e apontou para “breve” uma resposta ao dossiê sobre a comparticipação ou gratuidade das câmaras expansoras. Mas salientou que este assunto não é motivo para preocupação, já que “estes equipamentos já são disponibilizados aos doentes dos hospitais sem qualquer custo”.

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