Gerir eventos críticos em Medicina Interna com vista a «garantir a segurança do doente e diminuir o erro»

Realizou-se, no dia 9 de junho, no Centro de Simulação Biomédica (CSB) de Coimbra, o Curso de Gestão de Eventos Críticos (CRM – Crisis Resource Management) em Medicina Interna, organizado pelo Serviço de Medicina A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), dirigido por Armando Carvalho. A iniciativa foi coordenada por Jorge Leitão.



Em declarações à Just News, Jorge Leitão, assistente hospitalar graduado de Medicina Interna do Serviço de Medicina Interna A do CHUC e formador do CSB de Coimbra, relata que este curso vai já na 9.ª edição e visa “treinar competências técnicas e trabalho de equipa, aspetos fundamentais no trabalho de grupo, mas menos rotinados, tendo em vista garantir a segurança do doente e diminuir o erro, na prática do dia-a-dia”.

“Os CRM de Medicina Interna no CSB de Coimbra começaram a ser organizados em 2013, pelo Serviço de Medicina Interna A do CHUC, aproveitando a capacidade instalada no Centro de Simulação e um núcleo inicial de três assistentes hospitalares com interesse na simulação biomédica e formação na área, que assumiram a responsabilidade da organização”, conta o médico.


Jorge Leitão e Armando Carvalho.

Jorge Leitão coordena este curso desde o início, com a ajuda, neste momento, de mais cinco médicos do Serviço, de outros formadores do Centro e sempre em articulação com o diretor de Serviço, Armando Carvalho, que preside atualmente ao Colégio da Especialidade de Medicina Interna da Ordem dos Médicos.

Destinado, fundamentalmente, a internos da formação específica de Medicina Interna e internistas, mas também a médicos de outras especialidades, por exemplo, durante períodos de estágio efetuados no Serviço, têm sido organizados 2-3 cursos por ano, com médicos e enfermeiros de vários hospitais do país, contando, desde 2015, com o patrocínio da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).

Envolve aspetos práticos e teóricos. Nesta edição foram apresentados três cenários, que incluíram casos de sépsis, anafilaxia e perturbações hidroeletrolíticas. Depois destes, há um tempo de reflexão – debriefing – onde, explica Jorge Leitão, “os participantes têm oportunidade de fazer uma autoavaliação do seu desempenho, incluindo a visualização de uma gravação de vídeo do cenário, tentando aperfeiçoar o seu desempenho”.



“Apesar dos participantes habitualmente não conhecerem previamente os temas, é-lhes disponibilizada bibliografia pré-curso que lhes permite ter informação científica completa. Em todos os cursos temos inquéritos de satisfação e o feedback dos participantes que temos até agora é bastante positivo. Caso haja oportunidade, e como a simulação permite outras modalidades, poderemos vir a ter outros modelos”, menciona.



“A simulação biomédica é uma ferramenta muito importante, que pode ser usada tanto no ensino pré-graduado como a nível pós-graduado, melhorando a prática diária. Há aspetos que não estão muito presentes nos currículos escolares, mas que são fundamentais para a atividade médica (comunicação, trabalho de equipa, capacidade de liderança) e que, muitas vezes, mais do que as competências técnicas propriamente ditas, podem influenciar negativamente o resultado final”, sublinha.

Na sua opinião, “a simulação biomédica pode dar um contributo importante no treino e na formação contínua e ser determinante para a melhoria da qualidade do serviço prestado ao doente, de uma forma segura para os formandos e permitindo a aprendizagem e o desenvolvimento, sem pôr doentes em risco”.

O curso contou com 12 participantes provenientes de todo o país. Este é, segundo o coordenador da ação, o número ideal. “Um CRM para reproduzir condições semelhantes às reais implica a colaboração de um número variável de formadores que, nesta edição, foram nove e ainda dois enfermeiros.”

Para Jorge Leitão, o balanço é “francamente positivo”. “Achamos que é uma iniciativa muito útil e uma mais-valia, que temos intenção de manter e desenvolver”, refere.




Centro de Simulação Biomédica de Coimbra

Jorge Leitão conta que o Centro de Simulação Biomédica de Coimbra começou a sua atividade em 2008, sob a responsabilidade do Serviço de Anestesiologia do CHUC e, desde essa altura, estendeu a sua atividade a outras especialidades.

“A partir de 2015, com base na experiência já adquirida, iniciámos também um programa regular de formação para os alunos do 6.º ano da Faculdade de Medicina, no âmbito do estágio de Medicina, com atividades teóricas e práticas de simulação biomédica, adaptadas ao seu grau de conhecimentos e que decorrem igualmente no Centro de Simulação. Alguns internos, que entretanto começaram a colaborar, após terem feito também cursos de formadores, vieram depois a integrar o grupo”, acrescenta.

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