Davide Carvalho: «Todo o tratamento do doente diabético assenta na educação terapêutica»

As 7.as Jornadas Nortenhas de Diabetologia Prática em Medicina Familiar, que estão a decorrer em Braga, dão especial enfoque aos novos fármacos para a diabetes. Davide Carvalho, presidente do evento, considera este tema essencial, face ao aumento de terapêuticas na área da Diabetologia, e considera que "não é fácil para qualquer médico passar de duas terapêuticas bem conhecidas para 6 ou 7 novas. É preciso transmitir ideias muito concretas, para que se saiba lidar com tanta informação."

Em entrevista à Just News, refere que o "ponto-chave é que os médicos devem optar pelos fármacos que proporcionem uma melhor adesão terapêutica, para evitar o que muitas vezes acontece: os doentes deixam de se tratar e as consequências não são as melhores."

Questionado sobre como se consegue levar as pessoas a autovigiarem e a autocontrolarem a sua doença, começa por referir que "todo o tratamento do doente diabético assenta na educação terapêutica" e que esta é fundamental para o doente saber "gerir as armas que tem à sua disposição".

Davide Carvalho salienta que "é indispensável que as equipas de saúde dos CSP (médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas) tenham um papel essencial na educação e na autovigilância. Está inequivocamente demonstrado que a autovigilância beneficia os diabéticos tipo 1 e os tipos 2 insulinotratados. Nos tratados com fármacos que potencialmente possam causar mais hipoglicemias pode haver benefício da autovigilância, que tem também um caráter educacional e permite avaliar o benefício da atividade física ou o malefício de uma ingestão copiosa."

Acrescenta que, contudo, não se devem "centralizar apenas na autovigilância glicémica, mas também noutros parâmetros, porque a maioria dos diabéticos sofre de hipertensão e dislipidemia. Hoje, há ainda dados que comprovam que as pessoas que perdem peso e que conseguem manter a perda de peso são pessoas que se autovigiam: registam o peso com frequência, a prática da atividade física e o da alimentação."



UCFD reforçaram interligação entre a Endocrinologia e a Medicina Geral e Familiar

Davide Carvalho afirma que o contacto entre a Endocrinologia e a Medicina Familiar, no âmbito da diabetes, tem sido uma realidade ao longo dos últimos anos, "mas a implementação das unidades coordenadoras funcionais da diabetes reforçaram, de forma significativa, esta proximidade" e explica porquê:

"Antes das UCFD, tínhamos um médico designado para a coordenação das atividades com os ACES da nossa área de referência direta (Porto Oriental, Maia e Valongo). Estes médicos realizavam, com as equipas dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), atividades de formação e consultadoria. Com as UCFD existe uma maior aposta e uma aproximação mais formal, com a avaliação e a discussão dos problemas que surgem a nível hospitalar e nos CSP para se encontrar uma solução conjunta."

Consulta multidisciplinar do pé diabético: "referência a nível nacional"

Quanto aos principais desafios que os endocrinologistas partilham com os médicos de MGF, Davide Carvalho não tem dúvidas: "Inevitavelmente, o problema do pé diabético, as amputações e a prevenção primária e secundária. Felizmente, temos um forte apoio por parte da ARS Norte. Na nossa região, o número de amputações é inferior ao das restantes ARS."

E realça que se conseguiu ter bons resultados "também muito graças ao trabalho desenvolvido na consulta multidisciplinar do pé diabético do Hospital de Santo António, Centro Hospitalar do Porto, que é uma referência a nível nacional".




A entrevista completa a Davide Carvalho pode ser lida no Jornal das 7.as Jornadas Nortenhas de Diabetologia Prática em Medicina Familiar, distribuído aos participantes da reunião.

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